21 de mai. de 2008

Formatura dos AMIN de Caranguejo e São Lourenço

Os/as AMIN formados/as em Caranguejo.
Foram três anos e meio com encontros diários, onde procuramos esclarecê-los em relação aos conteúdos de Saúde, Educação e Cidadania, como também fortalecê-los quanto à auto-estima, ao respeito a si próprio, ao outro e ao meio ambiente. Estimulamos uma boa relação familiar, a busca de diálogo, pois sabemos o quanto o núcleo familiar contribui nas escolhas desses/as adolescentes.

Foram muitos momentos de descobertas e superações, encontrar novas formas de ver o mundo e como participar, contribuindo nas mudanças da sociedade em que vivemos. Uma tarefa nem sempre fácil, mas cada educador/a se deu por inteiro nesse processo para que todos/as pudessem ter a oportunidade de serem agentes de transformação, respeitando o Ser divino em cada um de nós, independente da cor, classe social, religião ou qualquer outra classificação que se invente para desagregar as pessoas.

Esses/as jovens fizeram uma grande caminhada, chegaram ao ponto final. Agora teremos um novo processo, onde cada um/a terá a oportunidade de repassar seus conhecimentos e através também de suas próprias atitudes, ajudarem outros jovens de sua comunidade.

Neste dia especial, tivemos a presença dos familiares que nos contemplaram com depoimentos emocionantes e de todos/as que fazem o Grupo AdoleScER, mesmo aqueles que não puderam estar presentes, como nossos parceiros, mas que se fizeram presentes possibilitando a realização desse sonho, de ver jovens preparados para fazerem boas escolhas e com vontade de ajudar na construção de uma sociedade mais justa.

Parabenizamos a todos/as AMIN!
Patrícia Travassos

18 de mai. de 2008

Entrevistas com os/as AMIN de Caranguejo e São Lourenço

Como foram estes últimos três anos com o AdoleScER para  os/as oito adolescentes da comunidade de Caranguejo e os dois de São Lourenço? Aqui as respostas deles/as para várias perguntas.
Como foi para você a convivência no grupo?

Joana D´Arc (16):
“Para mim foi boa. Eu aprendi a ter mais abertura com um grupo grande.”

Ariane Micaella (14): “Foi muito bom porque pude conhecer novas pessoas, fiz novas amizades e tive uma ótima convivência com o grupo.”
O que foi mais difícil na convivência no grupo?
Ariane Micaella (14): “Aconteceram algumas desuniões no grupo, mas nós conseguimos superar e agora estamos mais unidas/os.”

Joana D´Arc (16): “Conseguir conversar com os monitores.”

Você acha que faz sentido que uma organização relativamente pequena como o AdoleScER lute pela paz?

Wilson Martins (17): “Com certeza! A paz começa dentro de nós, então, se estamos em paz com nós mesmos, vamos estar com o outro também. Devemos fazer nossa parte.”



Você tem a impressão que hoje em dia você consegue resolver conflitos na família, entre amigos ou na escola de forma mais pacífica?

Wilson Martins (17): “Sim, ficou bem melhor dessa forma, porque violência gera violência. Um exemplo concreto: Eu lembro exatamente como foi: meu irmão mais velho do que eu, Willams, ficou inconformado com o que aconteceu com o meu outro irmão mais velho do que ele, Flávio, então ele queria fazer justiça do modo dele. Aí, eu o chamei para conversar e expliquei que não era daquela forma que se resolvia e que violência gera violência. Ele refletiu e viu que eu tinha razão.”



Você também falou com os seus familiares sobre questões religiosas ou espirituais que foram tratadas no AdoleScER?

Karina (16): “Sim, porque minha avó gosta de saber de tudo que acontece aqui. Quando eu falei do tema, ela gostou muito.”



Por que você acha necessário que o AdoleScER também cuide intensivamente da educação sexual?

Enderson Fernando (16):
“Para nós termos uma vida sexual saudável, é preciso eu conhecer o meu sistema reprodutor e o do outro.”

Amanda Maria (17): "Para que os jovens tenham mais informações e não se contaminem com nenhuma DST e não tenham uma gravidez indesejada. É muito importante ter essas informações."



Na sua opinião, quais as vantagens para você de ter tido aulas de computação durante a formação no AdoleScER ?
Silberte Gomes Pereira (15): “Ficou mais fácil fazer trabalhos, também facilitou muitas coisas tipo pesquisas. Eu gostaria de ter feito mais aulas, pois aprenderia mais sobre Excel, Internet etc.”



Você hoje se comporta diferente em relação ao meio ambiente do que antes da formação no AdoleScER?

Karina (16): “Sim. Eu antes não podia ver uma árvore que batia logo a vontade de arrancar algumas folhas, mas no AdoleScER eu aprendi que as folhas são tipo um ser humano que do mesmo jeito que a folha se sente machucada, nós também sentiríamos no lugar dela.”



Diga com apenas uma frase o que você mais gostou na formaçao do AdoleScER?

Enderson Fernando (16):
“Descobri que a importância do mundo se encontra na existência de coisas diferentes.”

Ariane Micaella (14): “Que tudo que aprendi aqui vale à pena, pois vai me servir muito.”

Amanda Maria (17): “Gostei de todos, mas o que mais me chamou atenção e até porque eu não iria aprender em lugar algum, foi a prevenção à gravidez e DST.”

Karina (16): “Ontem, hoje e eternamente diga não às drogas, pois fazem mal a você mesmo.”

Wilson Martins (17): “A importancia da vida não é ser um cidadão importante, o importante é ser um cidadão simples, mas especial.”

Enderson Fernando (16): “O conhecimento e o amor que houve no grupo.

Caminhada contra o abuso sexual de crianças e adolescentes


O dia 18 de maio foi transformado em Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploraçao Sexual de Crianças e Adolescentes para sensibilizar o grande público contra esta violência que é uma realidade cada vez mais constante na nossa sociedade. Um grupo do AdoleScER também participou desta manifestacão.  Aqui suas impressões.

A equipe do “Aldeias Infantis” organizou  uma passeata na praça do bairro de Engenho do Meio sobre o abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes. Nós fomos convidados/as para participar junto com nossas crianças do grupo Aprender Brincando. Antes da passeata fizemos nossa atividade normal com eles/elas de 14.00 h às 16.00 h e depois nos concentramos em frente ao prédio das Aldeias Infantis para darmos inicio à caminhada. Nosso percurso foi ao redor da praça do Engenho do Meio. Percebemos que esta passeata foi muito importante para as crianças que estavam envolvidas e para nós monitores: Camila, Elayne, Laércio e Letícia. Pois de certa forma nosso trabalho envolve este tema. O abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes são tipos muito graves de violência, que podem deixar seqüelas. Na maioria das vezes as mesmas não são facilmente percebidas, pois implicam em danos psicológicos, sendo prejudicial ao exercício saudável da sexualidade. Esse tipo de violência é baseado numa relaçao de poder do adulto (ou pessoa mais velha) sobre a criança/adolescente. Muitas vezes o agressor pode fazer parte da família, da vizinhança ou do ciclo da convivência da criança. Já a exploração é definida a partir da ocorrência de uma relação sexual entre criança/adolescente com uma pessoa adulta (ou mais velha), mediada por dinheiro ou troca de favores (comida, drogas, etc.)

Tivemos o apoio de Maria Lúcia e Lukas, pois Lukas estava tirando as fotos para este documentário e Lúcia nos ajudando com as crianças.

Camila, Elayne, Laércio e Letícia

Visita à Reserva Ecológica Charles Darwin

No dia 27 de Abril, os/as AMIN da comunidade de Caranguejo concluíram o conteúdo de Ecologia e Meio Ambiente com uma aula de educação ambiental na reserva Charles Darwin em Igarassu


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Tivemos o privilégio de sermos guiados pelo biólogo e tutor responsável pela reserva, Roberto Siqueira, que é uma pessoa que demonstra um profundo respeito e amor pela natureza. Em toda a trilha percorrida, todos/as tiveram a oportunidade de sentir (cheiros, aromas, umidade, calor, pureza de ar, etc.) e ver a diversidade da nossa Mata Atlântica com sua riqueza de fauna e flora.

Inicialmente, os/as adolescentes se mostravam tímidos, mas com a forma descontraída do nosso guia Roberto e o bem-estar que o próprio ambiente desperta, foram descobertos insetos, fungos, pássaros, flores, tipos de árvores e a relação entre todos.

Juntamente com Roberto, tivemos também a contribuição do biólogo David Lucas Röhr, que nos apresentou alguns animais nativos da Mata Atlântica, tais como cobras, lagartos, preguiças, aranhas, entre outros. Vimos também algumas espécies de macacos que estavam em cativeiros, por não terem mais condições de serem integrados à natureza. Que pena! Ai entra a ignorância do homem, quando resolve “criar” animais silvestres.

Foi uma manhã muito especial. Todos voltaram cheios de alegria e com mais conhecimento sobre a importância da natureza, despertando a consciência de que todas as formas de vida devem ser preservadas e respeitadas.

Patrícia Travassos e Lukas Moser

11 de mai. de 2008

Apresentação dos/das AMIN de Santa Luzia


Apresentam-se os/as adolescentes que estão participando das atividades de formação de AMIN na comunidade de Santa Luzia.
Os/as AMIN da comunidade de Santa Luzia.
Alcione: Eu sou Alcione e tenho 11 anos. Eu gosto muito do AdoleScER e eu quero me formar lá! Eu gosto da aula de português, segurança alimentar, teatro e informática. Eu não gosto da aula de dança nem de formação. Eu gosto dos monitores! Eu gosto quando a gente vai para a “casa” do AdoleScER porque eu tomo banho de piscina e como o lanche que Vanda faz, é muito delicioso...gosto também de ir para lá porque vejo Pat, Gunde, Luciano e Dani. Todos são muito legais comigo. Espero que quando lerem a minha história gostem de mim! Beijos de Alcione do AdoleScER.
Aline: Oi, meu nome é Aline Alves, tenho 13 anos. Eu adoro estar no AdoleScER porque eu aprendo muitas coisas. O AdoleScER me ajudou muito. Hoje eu sou muito diferente, ajudo às pessoas e entendo os prazeres da vida, como acordar de manhã e olhar para a minha farda do AdoleScER e dizer: “Eu vou ter que encarar o que vem pela frente!”. No AdoleScER, eu sinto como estivesse em família e nunca quero sair dela.
Carol: Meu nome é Ana Carolina Sobral, tenho 14 anos e sou do Grupo AdoleScER. Eu gosto desse grupo porque ele tem várias atividades ótimas como dança, português, teatro e etc. Eu entrei no AdoleScER no ano de 2006 e ainda estou aqui e não pretendo sair nem tão cedo, pretendo continuar até existir.
Carla: Meu nome é Carla, tenho 14 anos e estou no AdoleScER há mais de 2 anos. Eu aprendi no AdoleScER muitas coisas legais, as aulas com dinâmicas nos divertem muito. Eu, desde que entrei no AdolescER, cheguei até a sair por um tempo, mas eu disse para mim: “Não! Eu vou até o fim porque isto não é um projeto, mas sim um curso que dura quatro anos, até a gente virar monitores e educadores”. Tudo o que eu aprendi no AdoleScER foi tudo de bom. Nas aulas de dança, eu aprendi a dançar, aprendi muito nas aulas de anatomia, português e segurança alimentar. Aprendi muitas coisas mesmo!   
Cláudio: Oi, meu nome é Cláudio Rafael, tenho 15 anos, entrei no AdoleScER com 12 anos de idade e até agora eu estou aqui. Estou ate hoje porque eu gosto muito, porque é uma parte da minha vida e eu amo muito estar aqui!
Elaine: Olá! Meu nome é Elaine e tenho 14 anos. Entrei no AdoleScER em agosto de 2006, lá no HABTEC, ficamos lá até dezembro de 2006, depois nós mudamos para a nossa casa. Reformaram a casa pra dar mais espaço. Hoje em dia, me sinto mais disposta, só tenho um pouco de falta de atenção nas atividades, mas gosto de tudo.
Karina: Oi, meu nome é Karina Maria, tenho 15 anos e estou no AdoleScER há dois anos e alguns meses. Quando entrei no grupo foi muito legal, mas como sou muito envergonhada, passei a ter mais segurança no grupo onde antes não tinha intimidade, mas hoje tenho segurança total dentro do grupo. O AdoleScER fez com que eu não me juntasse com pessoas que não querem nada com a vida. Então, hoje, eu sou uma nova pessoa, pois minha mãe me deixa sair para passear e antes ela não me deixava, mas hoje ela confia em mim. O Grupo AdoleScER é um grupo que orienta a gente e eu gosto muito da nossa formação como AMIN.
Kelly: Sou Kelly (14 anos) e queria dizer que o AdoleScER mudou a minha vida e a minha rotina. Quando eu entrei no AdoleScER foi “estranho”, mas com o passar dos anos eu fui me adaptando com as aulas. Mas não é só isso, o AdoleScER me traz felicidade, pois eu estou mais ciente das coisas da adolescência, pois eu não sou mais aquela Kelly de 2 anos atrás. Agora estou diferente porque o AdoleScER muda a vida de muitas pessoas para melhor, inclusive a minha!
Lídia: Oi, meu nome é Lídia dos Santos, estou no AdoleScER há quase 2 anos. Entrei em agosto de 2006, eu estava com 11 anos. Gosto muito do AdoleScER. Hoje estou uma adolescente mudada, gosto muito de brincar, conversar, paquerar e etc. Gosto muito de todas as atividades, mas gosto mais de teatro e formação porque no teatro eu me inspiro mais e em formação também. Gosto de português e das outras atividades também.
Rita: Oi, sou Maria Rita, tenho 12 anos e moro na Comunidade de Santa Luzia. Esse é o meu primeiro ano no AdoleScER. Gosto muito de participar das atividades no AdoleScER. Gosto muito dos monitores, das dinâmicas e etc. gosto muito dos meus colegas, não tenho nada contra eles e nem eles contra mim. Gosto muito dos coordenadores. Eu gosto de todos. Aqui eu me sinto bem. Eu me sinto em casa quando estou no AdoleScER porque todos me tratam bem. O AdoleScER pra mim é a minha família.
Samila: Oi! Meu nome é Samila, tenho 14 anos. Eu gosto muito do AdoleScER de todas as atividades e eu estou muito bem no grupo. Eu gosto dos meus amigos e minhas amigas do grupo. Eu gosto de dançar, de brincar e conversar com todos eles.
Milton: Oi, meu nome é Valdemilton. Tenho 15 anos de idade. Estou no AdoleScER já há dois anos. No AdoleScER tem atividades de teatro, dança, nutrição, cuidar do ser e formação, mas a atividade que eu mais gosto é de teatro porque é a mais animada.
Valdilene: Oi, meu nome é Valdilene Conceição, tenho 13 anos, estou no Grupo AdolescER há 2 anos. Gosto muito das atividades que são: dança teatro, português, formação e nutrição. Eu sou uma menina que gosta de dançar e de outras coisas. Sei que o AdoleScER é muito importante para mim e para todos que estão no grupo. Os nossos monitores são Cilene e Júnior, eles são muito legais e pacientes com todos os AMIN. Eles nos educam bem para que nós passemos para os adolescentes o que aprendemos nas atividades.

8 de mai. de 2008

Equipe da sede principal

Queremos aproveitar este boletim de maio para apresentar nosso pessoal de apio da sede principal. Daniela, Vanda, Luciano e Arianne fazem um trabalho fundamental para o desenvolvimento do trabalho da ONG. Mas vamos deixar a palavra para eles/as mesmos/as.

Daniela
Meu nome é Daniela Alves, tenho 21 anos e entrei no Grupo AdoleScER no ano 2001. Fui AMIN da Comunidade de Caranguejo e fiquei até concluir a formação depois de três anos. Comecei a repassar as informações que aprendi para os demais adolescentes da mesma comunidade, com diversos temas relacionados à Saúde, Educação e Cidadania, através de rodas de conversas, palestras nas escolas, PETI, etc

Foi e ainda está sendo muito gratificante ter todas essas oportunidades que o Grupo AdoleScER ofereceu para mim e aos outros adolescentes, que foram e ainda estão sendo beneficiados/as  com todas estas informações, e a qualidade com que tudo isso é repassado para todos nós.

Hoje, sou reconhecida na comunidade e fico muito feliz e ao mesmo tempo satisfeita  com esse resultado positivo. Hoje tenho uma oportunidade a mais: trabalho na sede central do Grupo AdoleScER, onde presto serviço de secretária. Sinto-me bem, profissional  e emocionalmente, com a superação de qualquer dificuldade.

Com certeza, posso afirmar que o Grupo AdoleScER é realmente uma família para mim, pois posso garantir que sou mais uma cidadã neste mundo, e tudo isso agradeço a todos que fazem o Grupo AdoleScER.

Vanda
Meu nome é Elivanda Braz de Amorim, tenho 43 anos e trabalho no Grupo AdoleScER há quatro anos. Presto serviço de servente e na parte da cozinha, fico muito feliz de trabalhar no Grupo AdoleScER onde me sinto bem.
   
Luciano
Meu nome e Luciano Justino da Silva, tenho 28 anos, sou da comunidade de Nova Esperança em São Lourenço da Mata. Eu me formei como AMIN no Grupo AdoleScER durante 3 anos, onde aprendi a justiça e a igualdade para ser um bom cidadão, e um adolescente multiplicador de informação de qualidade para que eu possa ajudar o próximo com minhas informações. Eu também trabalho no Grupo AdoleScER como Office boy, mas também gosto de cuidar da piscina, das plantas, etc. Gosto muito do que eu faço e fico muito feliz por ser um bom funcionário no Grupo AdoleScER.

Arianne
Meu nome e Arianne, tenho 21 anos e entrei para o Grupo AdoleScER quando tinha 14 anos. Conclui minha formação aos 18 anos. Hoje, eu estou ajudando nos diversos serviços da sede central. Gosto do que eu faço, pois é onde eu me sinto bem e me traz muitas recordações boas, é onde eu encontrei a força e ajuda para ultrapassar as dificuldades.