17 de dez. de 2008

Cultura de Paz no curso Gente que faz a Paz em Recife

No dia 25 de dezembro compartilhamos algumas de nossas práticas de Cultura de Paz no curso Gente que faz a Paz em Recife.

O Programa GQFP tem o objetivo de capacitar voluntários e profissionais que atuam em projetos sociais, educacionais e ambientais para o comprometimento e promoção da Cultura de Paz. Para Josélia (educadora do AdoleScER) “participar dele é a oportunidade de compreender a paz em várias perspectivas como na educação, no meio social, na família etc. Acredito que o maior ganho em estar no GQFP é saber que cada vez mais pessoas estão juntas construindo um caminho de paz onde quer que estejam, seja com um grupo ou na própria família, o mais importante será a possibilidade de dar um sentido de paz a vida de muitos”.
Nesse dia realizamos a contação da história “Carinhos Quentes” que falava sobre a importância do carinho e respeito na relação entre as pessoas e o Túnel do Amor, para que esses Valores Humanos fossem colocados em prática. Foi interessante perceber como alguns sentiram dificuldades em dar e/ou receber carinho enquanto outros estavam muito presentes naqueles instantes desfrutando do toque carinhoso e acolhedor.  Ser agente da paz é sobretudo cuidar de si e do outro.
 Em seguida Camila (monitora do AdoleScER)  realizou uma dança psicomotora que descontraiu e despertou a alegria no grupo. Sobre essa experiência diz: “Na hora de fazer a dança fiquei nervosa porque Fabiana pediu para ficar no meio. Estou acostumada a ensinar a crianças e adolescentes e no GQFP eu sou a mais jovem da turma. Mas ao mesmo tempo eles acolhem as idéias de todos e participam, não criticam ninguém. Então fiquei bem. Também passei pelo túnel que Conceição fez e todo mundo me aceitou e me deu carinho”.
Foi muito importante para nós do AdoleScER termos socializado um pouco do nosso trabalho com os outros participantes e saber que os ajudamos a disseminar a Cultura de Paz entre as pessoas de sua convivência e nas comunidades onde moram. Esse é o efeito multiplicador no qual acreditamos.

Conceição Amorim

Aula-passeio para conhecer Recife

A aula-passeio na cidade de Recife aconteceu nos dias 02 e 03 de dezembro. Nós (Camila, Elayne e Laércio) e os/as adolescentes que fazem o curso de AMIN- Adolescentes Multiplicadores de Informações, participamos dessa atividade em parceria com a Secretaria de Turismo da Prefeitura da Cidade.
Depois de ensinarmos aos AMIN sobre a história de Roda de Fogo através de entrevistas com moradores antigos, passeio na comunidade e vídeo, chegou o momento de conhecermos melhor a nossa cidade, Recife. Esse passeio foi muito importante porque os/as adolescentes esclareceram suas dúvidas com as monitoras da PCR, Iria e Cristina. Conheceram tudo com mais detalhes do que se tivessem apenas assistido ao vídeo ou visto os postais. Em todos os lugares que passávamos (ruas, praças, bairros, pontes) elas explicavam a história dos lugares e não apenas os nomes, no passeio que durou três horas em cada dia.
Rafael (AMIN) comenta: “Foi bom porque trataram a gente muito bem e quando descemos no Marco Zero, Iria explicou como surgiram as 5 primeiras ruas de Recife, pedindo que abríssemos as mãos. Depois levou a gente pra Oficina de Brennand na Várzea. Lá eu aprendi que Brennand começou desenhando e depois ele foi fazendo as esculturas juntando animal com mulher, corpo de mulher com cabeça de sapo. Eu não gostei do ônibus por causa do ar condicionado, fiquei com dor de cabeça”. Tânia também fala muito animada sobre o que viu e aprendeu na aula-passeio: “Eu achei bom o passeio porque conheci as obras de Francisco Brennand, vi quadros que nunca tinha visto, vi trabalhos fantásticos que ele faz e vi também uns quadros, obras primas, que eu admirei muito. Uma das obras foi o quadro da Chapeuzinho Vermelho e as estátuas de Adão e Eva. Fui também ao Marco Zero e gostei. Vi também os navios, as pontes da cidade. Passei por muitos cantos bonitos e guardei dentro de mim porque eu posso até demorar pra passar por lá, mas quando eu ver vou lembrar por toda minha vida porque  foi fantástico.”
Nós, monitores, adoramos porque também conhecemos lugares de nossa cidade, pois tinha muita coisa que não sabíamos e é muito importante ficarmos por dentro do que existe em nossa cidade.

Camila, Elayne e Laércio – monitores da comunidade de Roda de Fogo

Quase como Natal

No dia 22 de Dezembro, o Grupo AdoleScER realizou a confraternização de final de ano no MAPE, Matas de Pernambuco, um espaço localizado em Aldeia.

No meio de muito verde encontramos uma estrutura simples, mas aconchegante, com piscina e um palco – pequeno para as apresentações preparadas pelos/as os/as AMIN e monitores, mas suficientemente grande para que pudessem desenvolver a sua criatividade. Tivemos a participação de 73 pessoas, dentre as quais estavam presentes adolescentes em formação para serem AMIN das comunidades de Roda de Fogo, Santo Amaro e Santa Luzia, os/as adolescentes formados/as de Caranguejo e os/as monitores(as), educadores(as), pessoal de apoio da sede, duas cozinheiras e um jornalista.

Inicialmente, realizamos um momento de "chegada" com Danças Circulares (Dança do Sol), tendo como facilitadora a aniversariante
Mércia Andrade. "Foram minutos de grande vibração e até mesmo diminuiu a minha dor de cabeça que nem percebi.” (Sara, AMIN de Roda de Fogo.

Para o AdoleScER, tradicionalmente, a Confraternização natalina é, simultaneamente, uma espécie de avaliação, onde AMIN e monitores podem apresentar aos/às colegas das outras comunidades e aos/às educadores(as) tudo que aprenderam, seja com danças ou peças de teatro. É assim, com a capacidade cada vez maior de observar, verbalizar críticas construtivas e elogios que desenvolvem no percorrer da Formação, que expressam o que, de fato, o AdoleScER consegue evocar de potencial que existe nesses meninos e meninas. Cada apresentação, tão diferente que seja, demonstra um só objetivo: que todos/as se sentem como grupo coeso, que têm a força de vontade para superar obstáculos, mas também a capacidade de cada um de assumir responsabilidade e de ser agente de construção do seu próprio destino.


Dentre as atrações apresentadas pelos adolescentes e monitores, destacamos que houve uma diversidade de ritmos e estilos. Assim, tivemos os seguintes Espetáculos de Dança e Teatro que, ao lado do enredo da própria história, continham, sutilmente e com muito humor, pequenas críticas e elogios ao trabalho do AdoleScER:

  1. Caranguejo: Encontros e despedidas (música de Maria Rita, uma Ciranda coreografada por Marcelo da Silva, dramatizando esse curso da vida).
  2. Roda de Fogo: Cavalo Marinho e Reisado; Teatro: Um Auto de Natal, com a história de Mateus e Catirina;
  3. Santa Luzia: Samba; Teatro: Em busca de Cibeles, enfatizando a importância e a busca do Amor Verdadeiro;
  4. Santo Amaro, Street Dance, Danças Infantis e Circulares; Teatro: Prodígio, apresentando o caminho percorrido por cada monitor(a) durante a formação e a descoberta de talentos ao longo do curso de Formação de AMIN.
  5. Grupo de Dança do AdoleScER: Afro e Reisado.
No momento em que AMIN e monitores estavam se organizando para iniciar o grande espetáculo, muitos comentavam o grande nervosismo e o medo de não conseguirem dar conta de tudo que ensaiaram. “- Ai, meu Deus!! Quanta gente vai ficar olhando nossa apresentação. Acho que não vou conseguir!!" Afirmou angustiada a AMIN Valdilene de Santa Luzia. Contudo, após a bela execução da peça, todos receberam muitos aplausos e expressões de estímulo e agradecimento pelo trabalho realizado e Valdilene reconheceu, em seguida, que se saiu bem.
Ficamos todos/as encantados/as e emocionados/as, pois cada vez mais os/as nossos/as AMIN e monitores nos surpreendem com apresentações de alta qualidade, com direito a escolha dos próprios envolvidos, dos adereços, figurinos, passos, diálogos, músicas e roteiros. E nós educadores, realizamos apenas a supervisão durante alguns ensaios.

Após os espetáculos, todos mergulharam na piscina e se divertiram num clima de alegria e satisfação em poder curtir este momento tão especial com todo o Grupo AdoleScER e destacaram a necessidade de encontros com a presença de todas as comunidades:
"- É tão bom todo mundo junto, pois podemos aprender com os outros e também ensinar o que sabemos. Gostei muito deste encontro...” Danilo, AMIN de Santo Amaro. Ainda tivemos sorteio de brindes e a tradicional e divertida brincadeira "Amigo Secreto" e – monitores e educadores – foram presenteados(as) com uma Agenda de 2009 para que o planejamento de todas atividades possa continuar sempre ocorrendo da melhor forma possível.

E diante de muita emoção, diversão e união, esta foi a nossa confraternização de 2008, realmente, quase uma festa de Natal. Além de presentes concretos e os apresentados em forma de espetáculos de dança e teatro, essa confraternização demonstrou justamente o significado dessa palavra: um encontro para reunir pessoas amigas, companheiras e fraternas.


“Foi um ano difícil” comenta a coordenadora Gunde Schneider. “E é por isso que foi ainda mais importante podermos, nesse encontro, não só curtir estarmos juntos, mas também aproveitar a oportunidade de verificarmos de maneira impressionante que o nosso trabalho, apesar de grandes obstáculos e desafios, trouxe bons frutos. Estou feliz e sinto orgulho pelo trabalho da equipe do AdoleScER e pelos enormes progressos que as nossas crianças e adolescentes fizeram, apesar das situações desfavoráveis de vida da maioria deles.”
 Lúcia Pimentel

Um diálogo entre continentes

No início de dezembro o AdoleScER recebeu visita da Alemanha: a Caritas Alemã organizou uma viagem de diálogo ao Brasil e nessa oportunidade, os/as participantes aproveitaram a possibilidade de conhecer o nosso trabalho.

A delegação, composta por 13 pessoas, passou uma tarde na comunidade do Caranguejo, onde viu de perto as atividades do Programa Aprender Brincando, também financiada pela Caritas Internacional. Ocorreram diálogos intensivos, por um lado, entre as/os visitantes da Europa e, pelo outro, com as crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social da comunidade de Caranguejo. As conversas se caracterizaram por um interesse e compaixão verdadeira no que se refere a essa realidade de vida tão marcada por dificuldades, mas também pelo desejo de receber mais informações como a vida das crianças e adolescentes mudou concretamente a partir da atuação do Grupo AdoleScER. Os/as visitantes ficaram impressionados(as) com a naturalidade e segurança com a qual os/as adolescentes lidam com a sua realidade.

Gunde Schneider

Natal para as Crianças do Aprender Brincando

O Grupo AdoleScER ofereceu a todas as crianças do Programa Aprender Brincando uma festa de Natal que aconteceu na própria sede da instituição. Foi um verdadeiro quebra-cabeça logístico, considerando-se as questões de transporte, lanche, número de participantes, lembrancinhas, entre outras coisas, de, no total 120 crianças e adolescentes.

Brincadeiras, brindes, um lanche reforçado, banho de piscina e apresentações de teatro e dança, ensaiadas com ajuda dos/das monitores(as) das respectivas comunidades constituíram o programa do dia. São crianças demais para que se juntassem todas no mesmo dia no AdoleScER. Assim, vieram em dias diferentes, mas pudemos organizar de modo que, p. ex. as crianças de Roda de Fogo fossem convidadas para assistirem as apresentações nessa confraternização natalina das crianças de Santa Luzia e essas assistiram as de Caranguejo.

Relatamos aqui como foi esse evento festivo com o grupo de crianças da comunidade de Santo Amaro: no dia 10 deste mês, elas vieram à sede do AdoleScER acompanhadas pelas monitoras Derivalda e Tarciana, pelo monitor Glauber, a educadora Josélia Meireles e Lenildo Fonseca, instrutor de informática. Alguns adolescentes do curso de formação de AMIN também participaram desse momento de confraternização no AdoleScER, inserindo-se como atores e dançarinos, mas também como ajudantes.


Derivalda e Glauber organizaram uma peça teatral com as crianças do Aprender Brincando. Assim, tiveram a oportunidade de apresentar o que ensaiaram, dessa vez não só para os/as AMIN, monitores e educadores de Santo Amaro, mas também para alguns membros da equipe do AdoleScER, como a Gunde Schneider, Patrícia Travassos, Lúcia Pimentel, e também aos(às) nossos(as) funcionários(as) Elivanda Amorim, Daniela Alves, Luciano Justino e Arianne Souza.


A peça teve como objetivo demonstrar uma atitude de solidariedade numa situação de vida e trabalho dura como é a do dia-a-dia das pessoas que trabalham no lixão. O enredo foi desenvolvido a partir da história de duas meninas (ambas com 11 anos de idade) catadoras/trabalhadoras do lixão, Jeane e Naiara, que, durante a chegada de um carro (coletor de lixo), começam a brigar pelos “novos produtos”. Neste momento chega Sandra, a responsável pelo Sindicato dos Lixões e convence as meninas a não brigarem, alegando que o lixo é de todos. As meninas voltam ao trabalho e se aproximam os/as outros(as) catadores(as). A partir daí, há a formação de um pequeno círculo (com Jeane e Naiara no centro) e começam a recolher todo o lixo que havia sido despejado e espalhado. De repente, o círculo abre, os demais catadores se sentam e Jeane, com algumas flores nas mãos, começa a dançar ao ritmo de uma Ciranda que é tocada pelos próprios catadores (com latas, pedaços de madeira, vidros, etc.). Assim, todos se levantam e é iniciada uma linda Ciranda, A Ciranda das Flores.


Após a dança, Jeane e Naiara realizam o último ato. Elas se abraçam e falam as frases: “- Tudo aquilo que vocês viram no comecinho da peça foi relatando nossas vidas no lixão: fome, pobreza e injustiça”, afirma Jeane. “– Mas no lixão não só existe briga. E sim AMOR, PAZ, AMIZADE, COOPERAÇÃO e UNIÃO”, completa Naiara. E juntas destacam
: “- Mesmo esquecidas pelo mundo, nós somos FELIZES!” Todos se abraçam, dirigem-se à platéia e agradecem aos aplausos recebidos.

A peça foi bem interessante e contagiou a platéia que permaneceu atenta a toda a apresentação. Vale ressaltar que Derivalda e Glauber ficaram entusiasmados(as) e satisfeitos(as) com o atuação das crianças e expressaram como estavam se sentindo: “- No início, pensei que não iria dar certo, pois são muitas crianças (25 no total), e nos ensaios elas não conseguiam acompanhar o ritmo da música (Ciranda). Mas fiquei muito feliz com o trabalho que elas mostraram”, afirmou Derivalda. “- A dificuldade maior foi pensar que não iríamos alcançar o objetivo, ou seja, a realização da peça. Mas depois de muito trabalho vimos que foi superada essa angústia e agora estamos satisfeitos com a apresentação”, foi o comentário de Glauber.


As crianças estavam eufóricas e manifestavam alegria com a realização da peça, afirmando, inclusive, que na próxima vez iriam caprichar ainda mais. Elas agradeceram a atenção de todos e seguiram a programação do dia: banho de piscina e realização de brincadeiras educativas.

Derivalda Cunha, Glauber Simões e Lúcia Pimentel.