O Grupo AdoleScER ofereceu a todas as crianças do Programa Aprender Brincando uma festa de Natal que aconteceu na própria sede da instituição. Foi um verdadeiro quebra-cabeça logístico, considerando-se as questões de transporte, lanche, número de participantes, lembrancinhas, entre outras coisas, de, no total 120 crianças e adolescentes.
Brincadeiras, brindes, um lanche reforçado, banho de piscina e apresentações de teatro e dança, ensaiadas com ajuda dos/das monitores(as) das respectivas comunidades constituíram o programa do dia. São crianças demais para que se juntassem todas no mesmo dia no AdoleScER. Assim, vieram em dias diferentes, mas pudemos organizar de modo que, p. ex. as crianças de Roda de Fogo fossem convidadas para assistirem as apresentações nessa confraternização natalina das crianças de Santa Luzia e essas assistiram as de Caranguejo.
Relatamos aqui como foi esse evento festivo com o grupo de crianças da comunidade de Santo Amaro: no dia 10 deste mês, elas vieram à sede do AdoleScER acompanhadas pelas monitoras Derivalda e Tarciana, pelo monitor Glauber, a educadora Josélia Meireles e Lenildo Fonseca, instrutor de informática. Alguns adolescentes do curso de formação de AMIN também participaram desse momento de confraternização no AdoleScER, inserindo-se como atores e dançarinos, mas também como ajudantes.
Derivalda e Glauber organizaram uma peça teatral com as crianças do Aprender Brincando. Assim, tiveram a oportunidade de apresentar o que ensaiaram, dessa vez não só para os/as AMIN, monitores e educadores de Santo Amaro, mas também para alguns membros da equipe do AdoleScER, como a Gunde Schneider, Patrícia Travassos, Lúcia Pimentel, e também aos(às) nossos(as) funcionários(as) Elivanda Amorim, Daniela Alves, Luciano Justino e Arianne Souza.
A peça teve como objetivo demonstrar uma atitude de solidariedade numa situação de vida e trabalho dura como é a do dia-a-dia das pessoas que trabalham no lixão. O enredo foi desenvolvido a partir da história de duas meninas (ambas com 11 anos de idade) catadoras/trabalhadoras do lixão, Jeane e Naiara, que, durante a chegada de um carro (coletor de lixo), começam a brigar pelos “novos produtos”. Neste momento chega Sandra, a responsável pelo Sindicato dos Lixões e convence as meninas a não brigarem, alegando que o lixo é de todos. As meninas voltam ao trabalho e se aproximam os/as outros(as) catadores(as). A partir daí, há a formação de um pequeno círculo (com Jeane e Naiara no centro) e começam a recolher todo o lixo que havia sido despejado e espalhado. De repente, o círculo abre, os demais catadores se sentam e Jeane, com algumas flores nas mãos, começa a dançar ao ritmo de uma Ciranda que é tocada pelos próprios catadores (com latas, pedaços de madeira, vidros, etc.). Assim, todos se levantam e é iniciada uma linda Ciranda, A Ciranda das Flores.
Após a dança, Jeane e Naiara realizam o último ato. Elas se abraçam e falam as frases: “- Tudo aquilo que vocês viram no comecinho da peça foi relatando nossas vidas no lixão: fome, pobreza e injustiça”, afirma Jeane. “– Mas no lixão não só existe briga. E sim AMOR, PAZ, AMIZADE, COOPERAÇÃO e UNIÃO”, completa Naiara. E juntas destacam : “- Mesmo esquecidas pelo mundo, nós somos FELIZES!” Todos se abraçam, dirigem-se à platéia e agradecem aos aplausos recebidos.
A peça foi bem interessante e contagiou a platéia que permaneceu atenta a toda a apresentação. Vale ressaltar que Derivalda e Glauber ficaram entusiasmados(as) e satisfeitos(as) com o atuação das crianças e expressaram como estavam se sentindo: “- No início, pensei que não iria dar certo, pois são muitas crianças (25 no total), e nos ensaios elas não conseguiam acompanhar o ritmo da música (Ciranda). Mas fiquei muito feliz com o trabalho que elas mostraram”, afirmou Derivalda. “- A dificuldade maior foi pensar que não iríamos alcançar o objetivo, ou seja, a realização da peça. Mas depois de muito trabalho vimos que foi superada essa angústia e agora estamos satisfeitos com a apresentação”, foi o comentário de Glauber.
As crianças estavam eufóricas e manifestavam alegria com a realização da peça, afirmando, inclusive, que na próxima vez iriam caprichar ainda mais. Elas agradeceram a atenção de todos e seguiram a programação do dia: banho de piscina e realização de brincadeiras educativas.
Derivalda Cunha, Glauber Simões e Lúcia Pimentel.