17 de dez. de 2008

Cultura de Paz no curso Gente que faz a Paz em Recife

No dia 25 de dezembro compartilhamos algumas de nossas práticas de Cultura de Paz no curso Gente que faz a Paz em Recife.

O Programa GQFP tem o objetivo de capacitar voluntários e profissionais que atuam em projetos sociais, educacionais e ambientais para o comprometimento e promoção da Cultura de Paz. Para Josélia (educadora do AdoleScER) “participar dele é a oportunidade de compreender a paz em várias perspectivas como na educação, no meio social, na família etc. Acredito que o maior ganho em estar no GQFP é saber que cada vez mais pessoas estão juntas construindo um caminho de paz onde quer que estejam, seja com um grupo ou na própria família, o mais importante será a possibilidade de dar um sentido de paz a vida de muitos”.
Nesse dia realizamos a contação da história “Carinhos Quentes” que falava sobre a importância do carinho e respeito na relação entre as pessoas e o Túnel do Amor, para que esses Valores Humanos fossem colocados em prática. Foi interessante perceber como alguns sentiram dificuldades em dar e/ou receber carinho enquanto outros estavam muito presentes naqueles instantes desfrutando do toque carinhoso e acolhedor.  Ser agente da paz é sobretudo cuidar de si e do outro.
 Em seguida Camila (monitora do AdoleScER)  realizou uma dança psicomotora que descontraiu e despertou a alegria no grupo. Sobre essa experiência diz: “Na hora de fazer a dança fiquei nervosa porque Fabiana pediu para ficar no meio. Estou acostumada a ensinar a crianças e adolescentes e no GQFP eu sou a mais jovem da turma. Mas ao mesmo tempo eles acolhem as idéias de todos e participam, não criticam ninguém. Então fiquei bem. Também passei pelo túnel que Conceição fez e todo mundo me aceitou e me deu carinho”.
Foi muito importante para nós do AdoleScER termos socializado um pouco do nosso trabalho com os outros participantes e saber que os ajudamos a disseminar a Cultura de Paz entre as pessoas de sua convivência e nas comunidades onde moram. Esse é o efeito multiplicador no qual acreditamos.

Conceição Amorim

Aula-passeio para conhecer Recife

A aula-passeio na cidade de Recife aconteceu nos dias 02 e 03 de dezembro. Nós (Camila, Elayne e Laércio) e os/as adolescentes que fazem o curso de AMIN- Adolescentes Multiplicadores de Informações, participamos dessa atividade em parceria com a Secretaria de Turismo da Prefeitura da Cidade.
Depois de ensinarmos aos AMIN sobre a história de Roda de Fogo através de entrevistas com moradores antigos, passeio na comunidade e vídeo, chegou o momento de conhecermos melhor a nossa cidade, Recife. Esse passeio foi muito importante porque os/as adolescentes esclareceram suas dúvidas com as monitoras da PCR, Iria e Cristina. Conheceram tudo com mais detalhes do que se tivessem apenas assistido ao vídeo ou visto os postais. Em todos os lugares que passávamos (ruas, praças, bairros, pontes) elas explicavam a história dos lugares e não apenas os nomes, no passeio que durou três horas em cada dia.
Rafael (AMIN) comenta: “Foi bom porque trataram a gente muito bem e quando descemos no Marco Zero, Iria explicou como surgiram as 5 primeiras ruas de Recife, pedindo que abríssemos as mãos. Depois levou a gente pra Oficina de Brennand na Várzea. Lá eu aprendi que Brennand começou desenhando e depois ele foi fazendo as esculturas juntando animal com mulher, corpo de mulher com cabeça de sapo. Eu não gostei do ônibus por causa do ar condicionado, fiquei com dor de cabeça”. Tânia também fala muito animada sobre o que viu e aprendeu na aula-passeio: “Eu achei bom o passeio porque conheci as obras de Francisco Brennand, vi quadros que nunca tinha visto, vi trabalhos fantásticos que ele faz e vi também uns quadros, obras primas, que eu admirei muito. Uma das obras foi o quadro da Chapeuzinho Vermelho e as estátuas de Adão e Eva. Fui também ao Marco Zero e gostei. Vi também os navios, as pontes da cidade. Passei por muitos cantos bonitos e guardei dentro de mim porque eu posso até demorar pra passar por lá, mas quando eu ver vou lembrar por toda minha vida porque  foi fantástico.”
Nós, monitores, adoramos porque também conhecemos lugares de nossa cidade, pois tinha muita coisa que não sabíamos e é muito importante ficarmos por dentro do que existe em nossa cidade.

Camila, Elayne e Laércio – monitores da comunidade de Roda de Fogo

Quase como Natal

No dia 22 de Dezembro, o Grupo AdoleScER realizou a confraternização de final de ano no MAPE, Matas de Pernambuco, um espaço localizado em Aldeia.

No meio de muito verde encontramos uma estrutura simples, mas aconchegante, com piscina e um palco – pequeno para as apresentações preparadas pelos/as os/as AMIN e monitores, mas suficientemente grande para que pudessem desenvolver a sua criatividade. Tivemos a participação de 73 pessoas, dentre as quais estavam presentes adolescentes em formação para serem AMIN das comunidades de Roda de Fogo, Santo Amaro e Santa Luzia, os/as adolescentes formados/as de Caranguejo e os/as monitores(as), educadores(as), pessoal de apoio da sede, duas cozinheiras e um jornalista.

Inicialmente, realizamos um momento de "chegada" com Danças Circulares (Dança do Sol), tendo como facilitadora a aniversariante
Mércia Andrade. "Foram minutos de grande vibração e até mesmo diminuiu a minha dor de cabeça que nem percebi.” (Sara, AMIN de Roda de Fogo.

Para o AdoleScER, tradicionalmente, a Confraternização natalina é, simultaneamente, uma espécie de avaliação, onde AMIN e monitores podem apresentar aos/às colegas das outras comunidades e aos/às educadores(as) tudo que aprenderam, seja com danças ou peças de teatro. É assim, com a capacidade cada vez maior de observar, verbalizar críticas construtivas e elogios que desenvolvem no percorrer da Formação, que expressam o que, de fato, o AdoleScER consegue evocar de potencial que existe nesses meninos e meninas. Cada apresentação, tão diferente que seja, demonstra um só objetivo: que todos/as se sentem como grupo coeso, que têm a força de vontade para superar obstáculos, mas também a capacidade de cada um de assumir responsabilidade e de ser agente de construção do seu próprio destino.


Dentre as atrações apresentadas pelos adolescentes e monitores, destacamos que houve uma diversidade de ritmos e estilos. Assim, tivemos os seguintes Espetáculos de Dança e Teatro que, ao lado do enredo da própria história, continham, sutilmente e com muito humor, pequenas críticas e elogios ao trabalho do AdoleScER:

  1. Caranguejo: Encontros e despedidas (música de Maria Rita, uma Ciranda coreografada por Marcelo da Silva, dramatizando esse curso da vida).
  2. Roda de Fogo: Cavalo Marinho e Reisado; Teatro: Um Auto de Natal, com a história de Mateus e Catirina;
  3. Santa Luzia: Samba; Teatro: Em busca de Cibeles, enfatizando a importância e a busca do Amor Verdadeiro;
  4. Santo Amaro, Street Dance, Danças Infantis e Circulares; Teatro: Prodígio, apresentando o caminho percorrido por cada monitor(a) durante a formação e a descoberta de talentos ao longo do curso de Formação de AMIN.
  5. Grupo de Dança do AdoleScER: Afro e Reisado.
No momento em que AMIN e monitores estavam se organizando para iniciar o grande espetáculo, muitos comentavam o grande nervosismo e o medo de não conseguirem dar conta de tudo que ensaiaram. “- Ai, meu Deus!! Quanta gente vai ficar olhando nossa apresentação. Acho que não vou conseguir!!" Afirmou angustiada a AMIN Valdilene de Santa Luzia. Contudo, após a bela execução da peça, todos receberam muitos aplausos e expressões de estímulo e agradecimento pelo trabalho realizado e Valdilene reconheceu, em seguida, que se saiu bem.
Ficamos todos/as encantados/as e emocionados/as, pois cada vez mais os/as nossos/as AMIN e monitores nos surpreendem com apresentações de alta qualidade, com direito a escolha dos próprios envolvidos, dos adereços, figurinos, passos, diálogos, músicas e roteiros. E nós educadores, realizamos apenas a supervisão durante alguns ensaios.

Após os espetáculos, todos mergulharam na piscina e se divertiram num clima de alegria e satisfação em poder curtir este momento tão especial com todo o Grupo AdoleScER e destacaram a necessidade de encontros com a presença de todas as comunidades:
"- É tão bom todo mundo junto, pois podemos aprender com os outros e também ensinar o que sabemos. Gostei muito deste encontro...” Danilo, AMIN de Santo Amaro. Ainda tivemos sorteio de brindes e a tradicional e divertida brincadeira "Amigo Secreto" e – monitores e educadores – foram presenteados(as) com uma Agenda de 2009 para que o planejamento de todas atividades possa continuar sempre ocorrendo da melhor forma possível.

E diante de muita emoção, diversão e união, esta foi a nossa confraternização de 2008, realmente, quase uma festa de Natal. Além de presentes concretos e os apresentados em forma de espetáculos de dança e teatro, essa confraternização demonstrou justamente o significado dessa palavra: um encontro para reunir pessoas amigas, companheiras e fraternas.


“Foi um ano difícil” comenta a coordenadora Gunde Schneider. “E é por isso que foi ainda mais importante podermos, nesse encontro, não só curtir estarmos juntos, mas também aproveitar a oportunidade de verificarmos de maneira impressionante que o nosso trabalho, apesar de grandes obstáculos e desafios, trouxe bons frutos. Estou feliz e sinto orgulho pelo trabalho da equipe do AdoleScER e pelos enormes progressos que as nossas crianças e adolescentes fizeram, apesar das situações desfavoráveis de vida da maioria deles.”
 Lúcia Pimentel

Um diálogo entre continentes

No início de dezembro o AdoleScER recebeu visita da Alemanha: a Caritas Alemã organizou uma viagem de diálogo ao Brasil e nessa oportunidade, os/as participantes aproveitaram a possibilidade de conhecer o nosso trabalho.

A delegação, composta por 13 pessoas, passou uma tarde na comunidade do Caranguejo, onde viu de perto as atividades do Programa Aprender Brincando, também financiada pela Caritas Internacional. Ocorreram diálogos intensivos, por um lado, entre as/os visitantes da Europa e, pelo outro, com as crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social da comunidade de Caranguejo. As conversas se caracterizaram por um interesse e compaixão verdadeira no que se refere a essa realidade de vida tão marcada por dificuldades, mas também pelo desejo de receber mais informações como a vida das crianças e adolescentes mudou concretamente a partir da atuação do Grupo AdoleScER. Os/as visitantes ficaram impressionados(as) com a naturalidade e segurança com a qual os/as adolescentes lidam com a sua realidade.

Gunde Schneider

Natal para as Crianças do Aprender Brincando

O Grupo AdoleScER ofereceu a todas as crianças do Programa Aprender Brincando uma festa de Natal que aconteceu na própria sede da instituição. Foi um verdadeiro quebra-cabeça logístico, considerando-se as questões de transporte, lanche, número de participantes, lembrancinhas, entre outras coisas, de, no total 120 crianças e adolescentes.

Brincadeiras, brindes, um lanche reforçado, banho de piscina e apresentações de teatro e dança, ensaiadas com ajuda dos/das monitores(as) das respectivas comunidades constituíram o programa do dia. São crianças demais para que se juntassem todas no mesmo dia no AdoleScER. Assim, vieram em dias diferentes, mas pudemos organizar de modo que, p. ex. as crianças de Roda de Fogo fossem convidadas para assistirem as apresentações nessa confraternização natalina das crianças de Santa Luzia e essas assistiram as de Caranguejo.

Relatamos aqui como foi esse evento festivo com o grupo de crianças da comunidade de Santo Amaro: no dia 10 deste mês, elas vieram à sede do AdoleScER acompanhadas pelas monitoras Derivalda e Tarciana, pelo monitor Glauber, a educadora Josélia Meireles e Lenildo Fonseca, instrutor de informática. Alguns adolescentes do curso de formação de AMIN também participaram desse momento de confraternização no AdoleScER, inserindo-se como atores e dançarinos, mas também como ajudantes.


Derivalda e Glauber organizaram uma peça teatral com as crianças do Aprender Brincando. Assim, tiveram a oportunidade de apresentar o que ensaiaram, dessa vez não só para os/as AMIN, monitores e educadores de Santo Amaro, mas também para alguns membros da equipe do AdoleScER, como a Gunde Schneider, Patrícia Travassos, Lúcia Pimentel, e também aos(às) nossos(as) funcionários(as) Elivanda Amorim, Daniela Alves, Luciano Justino e Arianne Souza.


A peça teve como objetivo demonstrar uma atitude de solidariedade numa situação de vida e trabalho dura como é a do dia-a-dia das pessoas que trabalham no lixão. O enredo foi desenvolvido a partir da história de duas meninas (ambas com 11 anos de idade) catadoras/trabalhadoras do lixão, Jeane e Naiara, que, durante a chegada de um carro (coletor de lixo), começam a brigar pelos “novos produtos”. Neste momento chega Sandra, a responsável pelo Sindicato dos Lixões e convence as meninas a não brigarem, alegando que o lixo é de todos. As meninas voltam ao trabalho e se aproximam os/as outros(as) catadores(as). A partir daí, há a formação de um pequeno círculo (com Jeane e Naiara no centro) e começam a recolher todo o lixo que havia sido despejado e espalhado. De repente, o círculo abre, os demais catadores se sentam e Jeane, com algumas flores nas mãos, começa a dançar ao ritmo de uma Ciranda que é tocada pelos próprios catadores (com latas, pedaços de madeira, vidros, etc.). Assim, todos se levantam e é iniciada uma linda Ciranda, A Ciranda das Flores.


Após a dança, Jeane e Naiara realizam o último ato. Elas se abraçam e falam as frases: “- Tudo aquilo que vocês viram no comecinho da peça foi relatando nossas vidas no lixão: fome, pobreza e injustiça”, afirma Jeane. “– Mas no lixão não só existe briga. E sim AMOR, PAZ, AMIZADE, COOPERAÇÃO e UNIÃO”, completa Naiara. E juntas destacam
: “- Mesmo esquecidas pelo mundo, nós somos FELIZES!” Todos se abraçam, dirigem-se à platéia e agradecem aos aplausos recebidos.

A peça foi bem interessante e contagiou a platéia que permaneceu atenta a toda a apresentação. Vale ressaltar que Derivalda e Glauber ficaram entusiasmados(as) e satisfeitos(as) com o atuação das crianças e expressaram como estavam se sentindo: “- No início, pensei que não iria dar certo, pois são muitas crianças (25 no total), e nos ensaios elas não conseguiam acompanhar o ritmo da música (Ciranda). Mas fiquei muito feliz com o trabalho que elas mostraram”, afirmou Derivalda. “- A dificuldade maior foi pensar que não iríamos alcançar o objetivo, ou seja, a realização da peça. Mas depois de muito trabalho vimos que foi superada essa angústia e agora estamos satisfeitos com a apresentação”, foi o comentário de Glauber.


As crianças estavam eufóricas e manifestavam alegria com a realização da peça, afirmando, inclusive, que na próxima vez iriam caprichar ainda mais. Elas agradeceram a atenção de todos e seguiram a programação do dia: banho de piscina e realização de brincadeiras educativas.

Derivalda Cunha, Glauber Simões e Lúcia Pimentel.

28 de nov. de 2008

As mais Belas Danças de Roda 2008

Nos dias 01 e 02 de novembro de 2008 nossos monitores de dança e Conceição Amorim puderam participar, por intermédio de Mércia Andrade, do seminário de danças circulares com Bruno Perel e Claudio Delfini na Escola Mater Christi. Marcelo J. da Silva relata.

“Ter participado desse Workshop das mais belas danças de roda com Bruno Perel e Claudio Delfini foi um presente. Confesso que estava um pouco desanimado pelo cansaço da semana. Mas, quando chegou o sábado e comecei a dançar, esqueci de todos os problemas e de qualquer esforço. A dança circular nos acolhe e nos protege, faz com que eu acredite que sou capaz de qualquer coisa. Amo dançar e agora, mais do quer nunca, sinto-me realizado e completo quando estou dançando. Quando percebi que aquele momento estava prestes a acabar, fiquei triste, quis até chorar, mais segurei, porque naquele momento senti que tudo que vivenciamos estava apenas começando. As danças circulares fazem com que eu entre em contato comigo, com o próximo e com Deus e acredito que cada vez que faço parte de uma roda me sinto uma pessoa melhor, me ajudando a lidar com as diversas situações que a vida me traz, me dá segurança para enfrentá-las, faz com que eu me perceba e também perceba o outro sem olhar só para o meu umbigo.   
Estar em roda é estar completo, compartilhando alegrias e tristezas, perdas e ganhos. Estar em roda ... é estar vivo e admitir que a caminhada é dura, mas que juntos chegamos lá. Por fim ...estar em roda é nada mais, nada menos que encontrar o Divino.”
Marcelo J. da Silva

Cláudio Delfini é pedagogo  e professor licenciado em Matemática, dançarino, coreógrafo e focalizador de danças circulares. Dedica-se à criação de um conjunto de danças que auxiliem num caminho mais claro para a compreensão dos valores humanos universais, respeito às varias culturas, seus costumes e símbolos.

AdoleScER e Bruno Perel no Congresso do GAPP

A palestra de Bruno Perel no Congresso do GAPP (Grupo de Atendimento Psico Pedagógico) inicia com o espetáculo “Diferentes, mas não Desiguais” com participação de monitores do Grupo AdoleScER. Marcelo J. da Silva relata.

Para mim foi extremamente importante ter participado do evento do GAPP, fazer a abertura da palestra de Bruno Perel junto com os/as monitores(as) do Grupo AdoleScER. Sua palestra trata da inclusão de pessoas portadoras de diversas deficiências e das dificuldades que encontram e como elas são vistas pela sociedade. Iniciamos com uma dança circular coreografada por Bruno, que fala justamente disso, onde alguns dos monitores ficaram por trás de uma tela de tecido branco num ambiente escuro, simulando que estavam presos dentro de um galpão excluídos da sociedade. Bruno e eu em frente a tela, encenando o processo de inclusão. No fim, todos se tornam um só, sem serem excluídos.
Esse momento para mim ficará guardado para sempre. Fiquei feliz por ter falado no final um pouco do trabalho do AdoleScER, podendo afirmar que muitas pessoas se inspiram no nosso trabalho. Foi um ganho muito grande e sinto que cada vez mais possamos com o nosso trabalho e o amor e transparência tocar os corações das pessoas. 
Marcelo J. da Silva

Bruno Perel é Psicólogo pela Universidade São Marcos, Especialista em Arte do Movimento pelo Instituto Sedes Sapientiae (SP), Coreógrafo e Focalizador de Dança Circular Sagrada. Iniciou nas danças circulares aos 12 anos, nas rodas de dança Israeli.

O espetáculo “O fio mágico” no AdoleScER

Nos dias 15 e 16 de novembro tivemos a alegria de receber nas comunidades de Roda de Fogo, Santa Luzia e Santo Amaro o espetáculo de teatro de bonecos e formas animadas do Mão Molenga chamado “O Fio Mágico”.

Ganhador do Prêmio Funarte de Teatro Myriam Muniz, esse espetáculo fez sua estréia no AdoleScER, contribuindo para a difusão das artes cênicas nos meios populares. Os preparativos para o evento foram da organização do espaço (que deveria ser grande para comportar a estrutura da cenografia), até a divulgação antes e no dia do espetáculo. Cilene, Júnior (monitores) e Milton (AMIN) da comunidade de Santa Luzia, relatam um pouco de sua experiência: “Encontramos três crianças brincando na lama e as convidamos para assistir o espetáculo, falamos com a mãe deles, esperamos tomar banho e continuamos buscando outros meninos. Foi quando nos deparamos com João – do Aprender Brincando- chorando porque sua irmã não queria levá-lo. Na conversa com a irmã sugerimos que os dois poderiam ir e foi o que aconteceu. E continuamos convidando mais crianças. Uma delas comprou até roupa e sapato novos para ir assistir o espetáculo. O legal de tudo foi quando vimos as pessoas chegando e marcando presença porque antes tínhamos medo que as pessoas convidadas não chegassem. No final levamos todas as crianças para as suas casas.”
Incluindo os participantes do Grupo AdoleScER (monitores, crianças e adolescentes) contamos com a presença de cerca de 240 pessoas de diferentes idades que, por cerca de uma hora e meia, se encantaram com a história de  Gerard, o principal personagem deste conto francês. Nela, é contada a história desse menino impaciente que recebe o dom de adiantar o tempo manipulando o fio de sua própria vida. Nas palavras dos monitores de Roda de Fogo (Camila, Laércio e Elayne): “Foi muito legal porque é o que acontece em nossa vida, quando está verão queremos inverno, nunca aceitamos o momento em que estamos, essa reflexão foi feita na vida de Gerard que se achava criança pra trabalhar e puxava o fio da vida, não aproveitando o que poderia ter aproveitado, pulando momentos. Ele não vivenciou alguns momentos, aconteceu a morte de sua mãe, e quando voltou para casa, depois da guerra, já tinha quatro filhos e não os viu crescendo.”
Vimos o público ficar fascinado com a mensagem e criatividade presentes no espetáculo que trouxe leveza e fantasia para esse fim de semana. No final da apresentação muitas crianças do Grupo Aprender Brincando sabiam todo o enredo, inclusive os nomes dos personagens. E o mais engraçado: todos, de crianças a adultos, ainda lembram da música que marcou a peça: “Ele puxou, ele puxou, ele puxou...”
O reencontro dos monitores com Fábio Caio foi um espetáculo à parte. Ator do Mão Molenga Teatro de Bonecos, foi ele que iniciou o trabalho com o teatro no Grupo AdoleScER e até hoje é nosso parceiro em diversos momentos onde esta arte se faz  presente nas atividades com os adolescentes nas comunidades.

Conceição Amorim

12 de out. de 2008

A dançarina Friedel Kloke em Santo Amaro

A expectativa era grande: quem seria essa grande dançarina com a qual AMIN, monitores e educadores iriam dançar nessa tarde ensolarada do dia 02 de outubro na sede do AdoleScER em Santo Amaro? Pontualmente ela chegou, acompanhada pela filha Saskia e amiga Lydie, trazidas por Mércia Andrade, nossa colaboradora.

Danças circulares alemãs e brasileiras: visita e anfitriões dançam sob orientação de Friedel Kloke.
A expectativa era grande: quem seria essa grande dançarina com a qual AMIN, monitores e educadores iriam dançar nessa tarde ensolarada do dia 02 de outubro na sede do AdoleScER em Santo Amaro? Pontualmente ela chegou, acompanhada pela filha Saskia e amiga Lydie, trazidas por Mércia Andrade, nossa colaboradora.
A dança de recepção e encerramento dessa visita foi a Dança ou Meditação do Sol, coreografada por Bernhard Wosien, e por ele chamada “O círculo que respira”. Ao som da música de Bach pudemos sentir o significado dessa dança: “cada um de nós é como um raio de Sol, irradiando a Luz a partir do centro. No centro encontramos nossa força, e a partir dela nos movemos para fora, levando essa Luz para os nossos dias, nossas ações, nossos movimentos no cotidiano da vida. Mas, mesmo em meio a nossos afazeres, não nos esquecemos da fonte - o nosso centro de integridade - e buscamos nela a inspiração para seguirmos adiante”.
Foram momentos inesquecíveis de muita alegria, descontração, beleza. O Grupo de Dança do AdoleScER apresentou para os/as visitantes duas coreografias em círculo ao som da música genuinamente brasileira – Maracá de Lelê e Brasileirinho e, como não podia faltar, apresentaram também uma dança Afro, ensaiado com nosso monitor de dança popular Marcelo.
As conversas informais se deram durante o intervalo com um lanche gostoso de frutas, suco e bolo, na subida ao primeiro andar ainda em fase de construção e ao conhecer a sala de computação.
Agradecemos à Mércia de ter trazido essa visita maravilhosa e à Friedel Kloke que, em meio a uma programação intensa do Seminário de Formação que estava realizando, aceitou com tanto carinho nosso convite para conhecer o trabalho do AdoleScER.

Gunde Schneider

Atividade de extensão universitária inovadora

As estudantes do curso de Nutrição da Universidade Federal de Pernambuco desenvolveram, no início desse segundo semestre de 2008, as suas atividades em campo com as crianças e pré-adolescentes do Programa Aprender Brincando da comunidade de Roda de Fogo.

Apesar das nossas dúvidas com relação a essa faixa etária, foi uma experiência inovadora e gratificante, certamente podendo-se, assim, ajudar a mudar alguns hábitos pouco saudáveis das crianças que gostam demais de comer balas, chicletes, biscoitos, pipoca, em vez de comprar, com o mesmo dinheiro, frutas ou outros lanches gostosos e saudáveis. Foram também abordados temas como higiene, ecologia e segurança alimentar, tudo numa linguagem e metodologia adequada a essa faixa etária.
A parte prática foi realizada na sede central do AdoleScER, e, de acordo com os comentários de Camila e Laércio, monitores que acompanharam esta atividade, foi uma experiência  bastante animadora: todos/as queriam participar e ajudar à Jaílma Monteiro, professora de Nutrição que coordena esta atividade de extensão da Universidade Federal de Pernambuco.
Gunde Schneider

Dia das Crianças Diferente

Durante este mês de outubro comemoramos, no dia 12, o Dia das Crianças e desta forma, realizamos diversas atividades voltadas para esta comemoração.

Vale lembrar que este dia foi decretado no ano de 1920 pelo Deputado Federal Galdino do Valle Filho. Contudo, apenas em 1960 passou a ser festejado, pois neste ano um diretor de uma fábrica de brinquedos decidiu retomar esta data fazendo uma grande promoção dos seus produtos, ou seja, o objetivo era justamente divulgar a comemoração de modo que as famílias iriam comprar brinquedos para as crianças. O plano deu certo! E uma data que homenageia todas as crianças se transformou em uma data comercial, visando apenas o lucro das grandes empresas de brinquedos.
Porém, como temos plena consciência deste sentido materialista criado sobre esta data, nós do Grupo AdoleScER, tentamos combater este sentido material e trabalhamos nossas atividades embasados nos Valores Humanos (Paz; Amor; Não-Violência; Ação correta e Verdade) destacando então, a importância do brincar. À medida que, a partir do brincar, a criança desenvolve a sua visão de mundo, constrói seu caráter e aprende que existem regras. Pensando assim, desenvolvemos atividades com as nossas crianças, pré-adolescentes (Aprender Brincando) e Adolescentes (AMIN), buscando o resgate desta criança e que, em muitos casos, não tiveram a oportunidade de vivenciar este período tão importante, especial e mágico da nossa vida. E por meio de Brincadeiras Educativas e Cantigas de Roda construímos um ambiente rico de afeto, carinho, atenção e principalmente de Paz.
Dentre as diversas atividades realizadas no mês da Criança, destacamos o “Cine AdoleScER” com o qual os/as participantes assistiram filmes com direito à pipoca e o dia reservado para as “Brincadeiras Educativas e Cantigas de Roda”. Destacamos algumas brincadeiras como, por exemplo: Corrida do sapo; Dança da laranja; Corrida do canguru; Varal diferente, Dança da cadeira cooperativa; e algumas Cantigas como: Não atire o pau no gato; Borboletinha; Da abóbora faz melão; Eu vi o sapo; Mineira de Minas; Peixe Vivo, etc. todos/as estimulando a cooperação e a manutenção dos laços afetivos saudáveis.
Com a efetivação destes encontros, os/as monitores(as) destacam a necessidade de brincar com os/as demais participantes (Aprender Brincando e AMIN) e enfatizam a satisfação de viver este clima de alegria com os/as mesmos(as). E, como afirmou Marcelo Silva, Educador de Dança: “São brincadeiras tão divertidas que até eu mesmo me vejo criança novamente e me divirto como tal... fico até mais leve!”.
Como conclusão das atividades voltadas para o Dia das Crianças, entregamos aos participantes do Aprender Brincando e AMIN doces, pipocas, bombons e lembranças para a data, enfatizando que esta lembrança não representa a comemoração de apenas um dia, e sim o reconhecimento a todas as necessidades das mesmas (direito ao Amor, afeição, compreensão, respeito, alimentação, saúde e educação gratuita e de qualidade) ao longo da vida.
Lúcia Pimentel

Doação de camisetas

Na mesma tarde da visita de Friedel Kloke um outro alemão, Werner Bär, do vale do rio Mossau, se integrou às nossas atividades de dança. Lenildo, nosso instrutor de informática, foi encontrá-lo no posto de gasolina perto da nossa sede em Santo Amaro.

Ambos não se conheciam, mas um confiou no outro que tudo estava certo assim. Depois da saída das dançarinas, ainda tinha uma surpresa: Werner abriu uma sacola e distribuiu camisetas doadas do evento “Primeiro dia de Voluntários da Região Metropolitana do Rhein-Neckar, distrito da Alemanha, na área administrativa de Karlsruhe, estado de Baden-Württemberg, bem como da Firma Delta Medien GmbH. Nas camisetas está estampado na frente: “nós conseguimos algo” e nas costas: “eu participo!” Sem dúvida alguma, essas duas frases chamativas são condizentes com o trabalho dos AMIN e monitores do AdoleScER e podem ser usados  por seus participantes sem problema algum. Como vieram tamanhos gigantes, diversas sugestões para o  uso das camisetas foram lançadas e para muitas meninas bem-vindas como camisolas.

4 de set. de 2008

AdoleScER veste camiseta nova

Um dos nossos temas hoje é a entrega das novas camisetas para as crianças e adolescentes do AdoleScER que puderam ser adquiridos com uma doação da Sra. Ulli Kissner que faz parte do Grupo de Apoio de Hochheim na Alemanha. Participem da alegria que este presente causou! Certamente, vocês conhecem o nosso uniforme: a logomarca verde, na qual um menino e uma menina estão como se abrigados dentro do G do Grupo, em fundo cinza.

O uso do uniforme escolar é tão comum aqui no Brasil e, em geral, bem aceito por pais e alunos. Economiza roupa, gera identidade com a instituição, serve como propaganda para a mesma, e, por fim, ajuda para que normas de vestimentas adequadas sejam respeitadas.

É assim também no AdoleScER: além das vantagens alegadas do uniforme, no nosso caso ele se torna ainda mais importante por favorecer a identificação dos nossos/nossas AMIN, monitores e, agora, das crianças do Programa Aprender Brincando nas suas comunidades, nas escolas e instituições onde realizam atividades. Vestir a camisa faz parte de um processo mais profundo que vai se desenvolvendo ao longo da formação – não é meramente uma roupa, ela significa um compromisso de comportamento que ás vezes não é fácil. Quantas vezes os/as AMIN escutam de colegas e também adultos: vi você bebendo uma cervejinha...vocês não falam que usar drogas faz mal? Onde está seu exemplo?


Emprestar a camisa ou dar para alguém que não faz parte do AdoleScER é contra as regras, justamente para assegurar a identificação com a instituição. Quem se afasta do Projeto, devolve a camiseta, a não ser que a mesma já esteja muito acabada.


Uma das principais razões que torna o uso do uniforme tão importante para o AdoleScER é ser reconhecido com relação à tarefa que os/as AMIN e monitores desempenham. Realmente SER o que está se informando. Por isso sempre lembramos a quem p. ex. vai expor um tema a um grupo numa escola ou outra instituição: cuide para que o conteúdo da sua informação, a sua maneira de falar, sua atitude chame mais atenção do que a sua roupa, seus adereços, e para isso também é bom ter um uniforme adequado, simples, mas significativo como o do AdoleScER.

Gunde Schneider

Cada comunidade com o seu logotipo

Cada comunidade onde o AdoleScER atua, tem a sua identidade própria, agora enfatizada mais ainda pela criação de logomarcas próprias, criadas por um dos nossos adolescentes.
As logomarcas que apresentamos aqui foram todas criadas por Erickson Marinho Pinto de Santo Amaro. Elas foram avaliadas e aprovadas tanto por monitores e educadores(as), quanto pelos membros do Projeto em cada uma das comunidades.

As idéias que as fez surgir veio do colhimento de informações tais como nome da comunidade, sua história, monumetos, curiosidades, etc.
A internet também ajudou na coleta de imagens para servir de modelo para os animais que estão nas marcas, e para reconhecimento visual dos santos.
Nenhuma logomarca seria finalizada sem que houvesse aprovação de ao menos um morador da comunidade. Porém todas ainda podem estar sujeitas à modificações

Erickson Marinho Pinto

Reivindicando o direito ao transporte

Sem direito ao vale-transporte, adolescentes não conseguem participar de cursos profissionalizantes.

No dia 02 de setembro, o Grupo AdoleScER esteve presente na passeata promovida pelo Fórum Social da Criança e do Adolescente da Cidade do Recife (FOSCAR). Tivemos a participação dos/das monitores(as) da comunidade de Caranguejo, Karla Valéria, Kátia Cristina e Marcelo J. Silva, 13 adolescentes participantes do Programa Aprender Brincando, a pedagoga Lúcia Pimentel e o Lukas Moser para fotografar.

A passeata teve como local de concentração o Parque 13 de Maio, no Recife, com destino à Câmara dos Vereadores. Dentre as diversas instituições envolvidas, temos: Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua, Lar da Divina Providência, Galpão de Santo Amaro, Semente do Amanhecer, Pé no Chão e o Grupo Curumim. Contamos com as apresentações de Maracatu, músicas Afro e danças de ruas.


O objetivo da passeata foi mobilizar a sociedade para o problema e a entrega de dois documentos (uma carta de repúdio e um abaixo-assinado) durante a realização da audiência pública com os Vereadores do Recife, destacando a indignação dos cidadãos em relação à Lei 14.899/86 que proíbe a entrega do vale-transporte à crianças e adolescentes participantes de organizações não-governamentais, movimentos sociais e fóruns. Essa lei impede a participação destes em cursos profissionalizantes, atividades culturais, esportivas e debates no âmbito extra-comunidade, pela impossibilidade de assumirem os altos custos de transporte.


Seguimos a passeata, destacando o lema “Com o vale-transporte na mão garantimos o direito da participação” e os nossos adolescentes enfatizaram que a experiência foi bastante significativa e construtiva, à medida que fomos todos/as (aproximadamente 110 participantes de todos os grupos) recebidos por Osmar Ricardo e tivemos a oportunidade de conhecer esse prédio suntuoso.


Vale frisar que, ao final da audiência, ficou decidido que, posteriormente, ocorrerá a revisão da Lei, de modo que possibilite o direito à utilização do vale-transporte por crianças e adolescentes participantes de instituições diversas.

Lúcia Pimentel

9 de ago. de 2008

Identificação do desejo profissional

Nos dias 05 e 06 de agosto os AMIN das comunidades de Santo Amaro, Santa Luzia, Caranguejo e Roda de Fogo participaram da primeira Feira de Profissões da UFPE. É inegável a variedade de profissões oferecidas na atualidade e o fascínio que muitas exercem sobre o/a jovem.


Escolher uma profissão e decidir o que fazer por um longo tempo da vida não é tarefa fácil. Para que nossos/as adolescentes possam fazer esta escolha com satisfação, elaboramos o módulo: Identificação do Desejo Profissional.
Atualmente os/as AMIN de Santa Luzia, Santo Amaro e Roda de Fogo participam desta atividade que tem como educadora Josélia Meireles. Os/as monitores/as responsáveis são, respectivamente, Antônio Silva, Jaqueline Araújo, Laércio Tiúma e Letícia da Silva.
Esse módulo proporciona em um primeiro momento a reflexão da escolha profissional, o papel desempenhado pela família e pela escola, a importância de um projeto para o futuro e qual o interesse profissional nesta fase de transição que é a adolescência. Em um segundo momento, buscamos conhecer as profissões, valorizando o interesse particular de cada um, promovemos visitas a espaços profissionalizantes, onde conhecem as profissões, facilitando sua escolha.
Na visita à primeira Feira de Profissões da UFPE, os cursos que despertaram mais interesse nos AMIN foram Biomedicina, Biologia e Engenharia Mecânica, enquanto que Museologia, Oceanografia e Engenharia Cartográfica foram as que deixaram mais dúvidas. Através do diálogo com os/as estudantes de cada curso, foi possível esclarecer alguns questionamentos dos/das AMIN.
O que faltou nesta primeira Feira de Profissões da UFPE, foi a representação dos cursos mais cativantes. Danilo, por exemplo, falou: “Eu quero ser médico, li uma revista sobre medicina, gostei e quero ser médico.” Lamentavelmente, não conseguimos encontrar mais informação sobre Medicina, Direito e Teologia nesta feira.
Mesmo assim, a excursão foi um êxito, os/as AMIN conheceram o Centro de Convenções da UFPE, alguns cursos novos para eles/elas e, certamente, vão poder aprofundar o conhecimento em outras feiras e nos módulos desenvolvidos pelo Grupo AdoleScER.

Josélia Meireles e Lukas Moser

Gestantes Acompanhadas pelo AdoleScER

O grupo de gestantes aconteceu neste primeiro semestre de 2008 na comunidade da Ilha de Santa Terezinha, em Santo Amaro. Este trabalho é voltado para gestantes adolescentes, e, quando tem vaga, para mulheres de primeira gestação. Procuramos, através das atividades, contribuir para uma gestação saudável, preparação para o parto, fortalecimento do vínculo afetivo mãe/bebê/família, planejamento familiar, entre outros temas.

Contamos com a participação de 20 mulheres, das quais a maioria não planejou a gravidez. Realizamos um encontro semanal com 2 horas e meia de duração, dividindo o tempo entre um trabalho de integração e preparação para o parto (dinâmicas de relaxamento, alongamento, danças circulares) e outro para a abordagem de conteúdos teóricos, ajudando no empoderamento destas mulheres. Passamos também conteúdos para o período após o parto, tratando de temas como o estímulo à amamentação e higiene do bebê e reforçando a necessidade de voltar à escola.

Criamos um ambiente acolhedor que facilite o bem-estar das participantes, onde elas podem expor suas fragilidades. Tentamos fortalecê-las para que superem seus medos e angústias e com isso possam passar pela experiência da gestação de uma forma positiva e amorosa.


O trabalho com as gestantes adolescentes em Santo Amaro, atualmente, é desenvolvido pela educadora Josélia Meireles e o monitor Glauber Simões com a supervisão de Patrícia Travassos.  Esta experiência tem sido muito rica para todos/as, especialmente para os monitores e os poucos companheiros das gestantes que já participaram. No início costumam achar que gravidez é assunto de mulher, mas depois de passar pela vivência no grupo, descobrem, que todos (homens e mulheres) são agentes deste processo.


“A nossa participação enquanto representante do sexo masculino no grupo de mulheres gestantes nos ajudou a compreender o mundo feminino em sua essência mais frágil, onde buscamos representar a figura do homem que não seja aquela que abandona ou agride. É muito gratificante vivenciar o desenvolvimento de dois seres (mãe e bebê). Há fatos que ocorrem durante o curso, como uma gestante que relatou que seu companheiro foi morto no início de sua gravidez, e que não teve a oportunidade de tocar em sua barriga, eu fui o primeiro homem a tocá-la num momento de relaxamento. Foi muito emocionante para ambos e sensibilizou todo o grupo, transmitindo segurança, apoio e companheirismo” (Lenildo Fonseca). 


“Foi satisfatório todo tempo que foi vivido entre nós, cada vivência um novo aprendizado”. (Glauber)


A cada grupo construído acontecem surpresas, esperanças e acima de tudo desejos de uma vida digna e plena de amor para todas as crianças e seus familiares.
Patrícia Travassos

Um rico fim de semana

Foi com grande alegria que o Grupo AdoleScER recebeu a notícia que seria contemplado juntamente com o Lar do Neném e a Associação Beneficente Criança Cidadã com a verba doada pelos participantes inscritos no dia 02 e 03 de agosto, no Chevrolet Hall e Centro de Convenções.

Este ano, o tema do evento foi “Um mundo melhor pra viver, um futuro melhor pra você!”. Dentro deste tema, a causa social adotada foi a criança e o adolescente. O primeiro contato aconteceu com o nosso grupo de Santo Amaro, sob responsabilidade de Josélia de Meireles e Lenildo Fonseca. Foi aí que Jakeline Soares, responsável pelas relações com a Comunidade do Instituto Wal Mart, conheceu mais de perto o nosso trabalho e chegou a selecionar o Grupo AdoleScER para ser uma das três instituições beneficiadas pela doação.
Como parte do Encontro Cliente & Bompreço, foi realizada uma “Feira de Comércio Solidário”, onde várias organizações que já receberam doações, expuseram os seus produtos feitos nos projetos e divulgaram os trabalhos desenvolvidos por suas instituições. Assim, o Grupo AdoleScER também teve a oportunidade de mostrar seu trabalho num stand. Durante os dois dias do evento a apresentação das nossas atividades para os/as visitantes, ficou sob a responsabilidade de dois/duas monitores(as) e um(a) educador(a), e o Lukas Moser ficou para fotografar.
Colocamos as agendas do aniversário de cinco anos do AdoleScER à venda e as nossas oficinas temáticas e de vivência como oferta de serviços. O que realmente foi um grande sucesso e marcou a nossa presença, foram as danças circulares. Logo cedo, no primeiro dia do evento, Jakeline Soares recebeu todos/as os/as participantes, iniciando o dia com uma oração e, em seguida, nossos monitores Laércio Tiúma de Roda de Fogo e Marcelo J. da Silva de Caranguejo conduziram uma dança circular de cumprimento e boas vindas. Foi muito bom, eram tantas pessoas que tivemos que fazer dois círculos! No intervalo do almoço, quando as pessoas que estavam no congresso visitaram a feira, Mércia Andrade, focalizadora das danças circulares, veio ao Evento para conduzir mais algumas e apresentar outras com os monitores Laércio e Marcelo e as monitoras Derivalda, Jaqueline e Taciana de Santo Amaro. Foi um show! Quem estava no stand cansado de ficar em pé se juntou a nós para entrar em harmonia e alegria num movimento maravilhoso que a dança circular proporciona.

No domingo, segundo dia do evento, já existia uma certa familiaridade entre as pessoas que eram responsáveis pelos stands e, mesmo que a dupla de monitores mudasse a cada expediente, Lukas ficou quase sempre para ajudar, fotografar, ajeitar o Notebook e até para dar entrevista em determinado momento. Lamentavelmente choveu muito, até tivemos que colocar os fios do som, amplificador e computador em cima de cadeiras para não molharem, mas nada que prejudicasse a disposição dos/das presentes.


Finalmente, antes do encerramento do evento, chegou o grande momento: a entrega do cheque gigante para os/as representantes das três organizações beneficiadas. Representando o AdoleScER, foram Josélia Meireles de Santo Amaro e Karla Valéria de Caranguejo para o palco e falaram do nosso trabalho para uma platéia de mais de 50 000 pessoas. Foi um momento muito especial para todos nós. Assim podemos, finalmente, realizar uma reforma na nossa sede em Santo Amaro e equipar as outras sedes comunitárias com aparelhos áudio-visuais e didáticos.

Gunde Schneider

5 de jul. de 2008

Um dia de grande diversão

Esta oficina foi feita com as crianças e pré-adolescentes do Aprender Brincando da comunidade de Santa Luzia, no dia 18 de julho na sede central do Grupo AdoleScER.

No dia, havia 13 participantes, sendo 10 meninas e 3 meninos. A oficina teve início em torno das 14 h com o intuito de trazer lazer para eles/elas. Mas não fizemos intervalos para não desperdiçar o precioso tempo. Os/as participantes ficaram todo o tempo se divertindo, brincaram de natação, de desfile, etc. Foi uma alegria. Esta animação foi até às 15h30, pois tinha o lanche e depois precisavam de tempo para se organizar e voltar para a comunidade (Santa Luzia).

Quando se fala em piscina, a motivação, o interesse e o envolvimento crescem em dobro. Daí a grande diversão. A única dificuldade foi na hora de irmos embora, pois choveu e quando parou um pouco fomos para nossas casas.


Este tipo de atividade contribui e muito na relação entre os meninos e meninas do grupo, pois é um momento de integração e amizade.
Antônio e Cilene

Psicomotricidade através da Dança

No dia 16 de julho fizemos a oficina de Danças Psicomotoras na nossa sede de São Lourenço com o grupo Aprender Brincando. Tivemos a participação de 18 crianças, sendo 13 meninas e 05 meninos. Escolhemos três danças de acordo com a faixa etária do grupo e juntamos com as que Mércia Andrade, a focalizadora de danças circulares, trouxe.

Vale lembrar que o trabalho de Psicomotricidade tem o objetivo de ajudar as pessoas com dificuldade de concentração, aprendizagem, relacionamento, afetividade, hiperatividade, lateralidade, equilíbrio e outras, encontrando nestas danças um instrumento precioso, que de forma lúdica e leve desenvolve qualidades e supera obstáculos.
Notamos que a participação das crianças e pré-adolescentes foi muito boa e ficamos surpresos com a força de vontade deles/delas, pois pensávamos que eles/elas não iriam conseguir fazer todas as danças. Tivemos poucas dificuldades, mas foram normais porque estavam muito agitados e não paravam de falar quando estávamos explicando. Então, nós paramos, falamos com eles/elas e conseguimos envolvê-los(las) na oficina.
Outra coisa interessante que aconteceu foi o fato de que temos um aluno, que se chama Pedro Henrique, que não gosta de dançar e fala que é a religião da qual ele faz parte que não permite dança. Mas no dia da oficina ele dançou todas as músicas sem parar.
Bem, essa oficina foi muito boa e importante para nós monitores e também para os/as outros/as participantes, porque pudemos ver a disposição, o envolvimento e o interesse do grupo em aprender este tipo de dança.

Janaína, Silberte, Wilson e Mércia

Santo Amaro: Teatro e Contação de Histórias

No dia 7 de julho de 2008, na sede do AdoleScER de Santo Amaro foi realizada com os/as AMIN a oficina de Teatro e Contação de Histórias, com a participação de 10 integrantes (2 meninas e 8 meninos). 

A oficina foi iniciada com a peça “A Lenda do Teatro de Sombras”, uma mini-superprodução com as atuações da monitora Tarciana e do monitor Erickson e participação especial dos AMIN Danilo, Anderson, Marcos e Williams. Com a direção de Erickson, a peça fala sobre a possível origem do teatro de sombras que teria se passado na antiga China.

Durante a oficina, todos/as os/as AMIN participaram na arrumação e preparação do espaço, atuando, dançando na trilha sonora e principalmente na criação de seus trabalhos finais. Infelizmente houve uma pequena evasão dos AMIN, pois nem todos/as que iniciaram, chegaram até o fim. Mas os/as que permaneceram fizeram valer a pena.


No último dia houve duas peças, a primeira (de Williams, Alisson e Marcos) tratava sobre magia e fantasia. Enfim, uma peça bem divertida. A segunda (de Danilo, Cleberson, Jadson e Anderson) foi uma adaptação de um conto que falava dos sentimentos (amor, vaidade e alegria) tomados como forma humana. Foi uma bela peça que nos faz refletir que “só o tempo é capaz de entender aqueles que agem por amor”. Como combinado, os/as monitores/as decidiram duas categorias específicas para que cada peça recebesse um prêmio, logo, a 1ª recebeu o prêmio de “Melhor Peça de Ação”, a 2ª de “Melhor Mensagem”, e por fim, Danilo recebeu o prêmio de “Melhor Ator da Oficina”.
Ficou claro que com essa oficina os AMIN evoluíram sua técnica e criatividade com destaque para o teatro de sombras, escrita, criação e direção de suas próprias peças, se preocupando também com figurino, adereços, cenário e até trilha sonora. Também na parte da contação de histórias (narração). Houve muita dedicação e interesse de realizar o trabalho, pois durante a semana muitos chegaram cedo para a arrumação do espaço e ensaios. Após verem os vídeos selecionados pelo(a) monitor(a) especialmente para a oficina, eles/elas se interessaram tanto em repeti-los nos outros dias, como também em pesquisar fora (mesmo sem ter sido solicitado) mais informações sobre o teatro, dando retorno aos monitores mais tarde. Nos últimos momentos da oficina houve uma rápida avaliação geral, e percebeu-se que a oficina foi muito construtiva e positiva.

Por Erickson e Tarciana

Brincando em Roda de Fogo

No dia 15 de Julho de 2008 fizemos a oficina de férias de brincadeiras. Tivemos a participação dos/das 15 AMIN na sede de Aldeias Infantis SOS Brasil em Roda de Fogo.

Nós tínhamos planejado uma dinâmica para começar a oficina. Lamentavelmente alguns dos/das AMIN se atrasaram um pouco na aula. Então nós tínhamos que improvisar um pouco e Camila começou a brincar de Dominó com os que já tinham chegado. Mas não foi um Dominó comum, foi um Dominó de imagens que tinha a finalidade de treinar o raciocínio lógico. Enquanto mais AMIN chegavam Laércio explicou outros jogos, como o Xadrez e os últimos a chegar já pegavam os jogos e iam brincando entre eles. Nós brincamos de Dama, Xadrez, Dominó Clássico e um Dominó de figuras, Ludo e Resta um.

A maioria deles/delas gostou das brincadeiras, mas alguns/algumas se dispersaram e acabaram deixando os brinquedos para lá e foram pulando e correndo por cima dos colchonetes. Daí, Camila e Laércio chamaram sua atenção, que quando a gente levava conteúdo, eles/elas queriam brincar e quando levamos brincadeiras, eles/elas ficavam dispersos. Escutaram o que a gente falou e foram jogar com os brinquedos.
A dinâmica que foi planejada para iniciar a oficina foi realizada para o encerramento da mesma. Assim fizemos a dinâmica “Proibido Rir”, onde os/as participantes devem olhar um para outro, e falar “oi”. O primeiro tem que falar um “oi”, o segundo dois “oi”, e assim por diante. Quem rir ou errar a contagem tem que sair da brincadeira, podendo ir para casa.
O objetivo destes jogos, além de trazer lazer e divertimento, foi também uma forma de trabalhar com raciocínio e acabar com esse sentido de competição e reforçar a união do grupo.
Apesar dos contratempos, conseguimos desenvolver uma oficina atrativa e divertida, de acordo com clima de férias.

Camila e Laércio

São João do AdoleScER

Estamos no mês de julho, desta forma, sabemos que acabaram os festejos aos santos do Ciclo Junino. E não poderíamos deixar passar em branco como foi a nossa comemoração do São João. Assim, a partir da entrevista realizada nas diferentes comunidades esperamos que vocês desfrutem com bastante alegria o São João do Grupo AdoleScER que foi movido a muito arrasta pé, e diversão.

Onde vocês fizeram a sua festa de São João?
A nossa festa de São João aconteceu na sede de Santa Luzia. Juntos participaram o grupo de AMIN e do Aprender Brincando, totalizando 39 participantes. (Santa Luzia) 

Quem fez e como foi a decoração da sede?
O material foi comprado por mim (Karla Valéria) com o dinheiro que conseguimos arrecadar com os meninos que foi um real de cada um. Comprei o tecido e junto com Kátia e minha família fizemos as bandeiras. A decoração quem fez foram Marcelo, Karla Valéria e os/as meninos/as do Aprender Brincando. Tudo saiu como planejado, lindo! (Caranguejo)

Os/as participantes usaram roupas características do São João? Os meninos e as meninas gostaram de se fantasiar de matuto e matuta? Teve alguma fantasia que se destacou? 
Só alguns que se caracterizaram e gostaram muito das fantasias. Quem se destacou foi um casal: Welley e Karoline, eles estavam como autênticos matutos. (São Lourenço) 

Quais as comidas típicas que vocês serviram? Qual foi a que eles mais gostaram?
Agora vem a melhor parte, as comidas típicas. Teve bastante comida. O Grupo AdoleScER cedeu uma mão de milho 50 (cinqüenta) e a monitora Cilene e o monitor Antônio preparam diversas comidas como: canjica e milho cozido. Por fora foram preparados: bolo de milho, manguzá, pipoca, além de “ralar muito bucho” no nosso arraial. (Santa Luzia)

Durante a festa houve alguma apresentação de dança? Qual foi a reação dos/das participantes?
Além das comidas tivemos apresentações de danças como a quadrilha feita pelos participantes do Aprender Brincando e Xaxado que foi feito pelos AMIN. A quadrilha ficou muito bonita e os(as) meninos(as) estavam muito animados e dançaram muito bem. Depois que eles(as) terminaram a apresentação, todos que estavam na festa entraram na quadrilha e começaram a dançar. Na hora da apresentação do Xaxado os/as meninos(as) dançaram tão bem que a platéia pediu para que eles(as) dançassem novamente e foram bem aplaudidos. (Santo Amaro)

Durante a festa houve alguma realização de brincadeiras? Quais? Qual foi a que eles mais gostaram?
No momento das brincadeiras fizemos a dança do limão, a dança do semáforo e uma quadrilha. Foi uma quadrilha de improviso que os/as AMIN gostaram muito e foi um grande sucesso. Para quem não conhece a dança do limão, ela é dançada em pares, com um limão entre a testa do menino e da menina e, caso o limão caia, o casal sai da dança. Já a dança do semáforo também é dançada em pares que segue a lógica do semáforo, quando está vermelho, os pares dançam porque os carros estariam parados, e quando está verde, os pares devem parar. Além das brincadeiras com música fizemos a pescaria, a corrida do limão com a colher e argola no pino. (Roda de Fogo)

Vocês tiveram algum momento de conversa com com os/as participantes sobre o São João?
Para você qual o significado do São João? Explicamos o significado do São João durante as atividades do mês de junho. Na nossa concepção, São João é uma festa religiosa, onde se comemora o nascimento de São João ou João Batista. (Santo Amaro)

Oficina de Reciclagem em Caranguejo

Com o grupo Aprender Brincando fizemos a oficina de reciclagem nos dias 14,17 e 18 de Julho. Nos primeiros dois dias fomos fazer a coleta do material reciclável na Ilha do Zeca, para depois produzirmos algumas obras.

Aproveitamos também os dias para fazer a limpeza desta única área verde de lazer que temos na comunidade. Na realidade, ficamos com pouco material em condições de reaproveitar e com muito lixo para descartar. De qualquer forma o encontro foi muito proveitoso, acredito que todos/as aprenderam muita coisa. Antes de sair pelo campo e durante a própria coleta os/as monitores/as foram explicando a importância e o significado da reciclagem.
Então, no último da oficina foi necessário levar garrafas PET, canudos, etc. de casa para darmos continuidade à oficina. Tivemos a presença de 25 crianças e pré-adolescentes. Eles/elas puderam utilizar a imaginação e confeccionar produtos para a sucatoteca (objetos, brinquedos e jogos criados e adaptados com sucata doméstica). Nós fizemos porta-lápis, porta-treco, vasos, bonecos, cartazes e o brinquedo “Vai-vem”. Foi muito bom, porque os/as participantes se envolveram bastante nesta oficina. Eles/elas estavam preocupados/as com que iriam produzir e queriam fazer o melhor. No final, todos/as ficaram entusiasmados/as com o resultado.
Outra dificuldade que tivemos foi a quantidade reduzida de cola, cola colorida, tinta e tesoura. Alguns dos participantes não queriam compartilhar estes materiais. Então nós monitores falamos com eles/elas sobre a importância de compartilhar e de trabalhar em grupo. E assim a atitude deles/delas mudou e todos/as conseguiram completar seus trabalhos. Acreditamos que a maioria aumentou o entendimento sobre reciclagem e que mudando nosso comportamento pouco a pouco podemos transformar o mundo.

Marcelo

20 de jun. de 2008

Depoimento das Estagiárias da UFPE sobre a experiência no AdoleScER

O Grupo AdoleScER tem um convênio com diferentes Universidades, que oferecem aos seus estudantes a possibilidade de fazerem um estágio nas comunidades carentes atendidas pelo Grupo. As estudantes dão palestras em suas respectivas áreas para os/as AMIN. Leia como os/as estudantes viveram esta experiência:

Desde 2004, a professora Jaílma Santos, do Departamento de Nutrição da Universidade Federal de Pernambuco, oferece juntamente com as suas estudantes, cursos de Educação Nutricional. E neste mês de Junho as estudantes do Laboratório de Saúde Pública, finalizaram as atividades nas comunidades de Santa Luzia e Santo Amaro.
Nossa participação procurou implementar alternativas para tornar mais amplas as ações de intervenção em Educação Alimentar e Nutricional.
A experiência de Educação Nutricional para os jovens do Grupo AdoleScER foi muito gratificante, através de dinâmicas, jogos e oficinas de alimentação voltadas para a prática da Educação Alimentar e Nutricional na comunidade, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida dos AMIN. Não só ensinamos, como também aprendemos sobre seus modos de vida, sua cultura, suas dificuldades e perspectivas, possibilitando-nos refletir criticamente, a respeito da expansão de tais ações.
Com esses 3 meses de trabalho no Grupo AdoleScER, percebemos a importância e a necessidade das ONG em comunidades carentes. Os AMIN que participaram das nossas palestras em Santa Luzia e em Santo Amaro mostraram muito interesse em novos conhecimentos e cabe a nós incentivarmos e proporcionarmos a eles o aprendizado.

Adriana, Priscila e Flávia Gonçalves - Estudantes de Nutrição

Visita da Alemanha

No dia 21 de maio de 2008, um grupo de jovens alemães que estão de visita ao Brasil, conheceram o AdoleScER. Sarah Preuss, Fredy Arnsperger, Jens Schlötterer e Martin são estagiários no Centro de Recuperação Vida Nova, no Paraná. Moema Hees veio de João Pessoa onde está terminando um ano de voluntariado num projeto social. Todos estão no Brasil para realizar um ano de voluntariado em organizações sociais da Igreja Luterana. Laura Büning, outra visitante do AdoleScER nesse dia, atualmente é estagiária na Caritas NE 2 com sede em Recife.

Sarah Preuss
Durante nossa viagem pelo Nordeste Brasileiro passamos também por Recife. O nosso grupo era formado por três homens jovens alemães e por mim. Através da organização Missão de Marburg realizamos atualmente um estágio de um ano em Rolândia / Paraná num Centro de recuperação para usuários de drogas, o CERVIN. A partir do dia 12 de maio, fomos conhecer o Brasil por três semanas e foi assim que tivemos a oportunidade de conhecermos também o trabalho do AdoleScER.

Quando entramos na sede do Grupo AdoleScER em Santo Amaro, 25 pares de olhos rapidamente posicionaram-se em direção a esses visitantes de aspecto estranho e abriram espaço para podermos sentar junto aos outros já sentados em círculo no chão. Aqui e acolá escutava-se uma risadinha envergonhada e os rostos risonhos acompanharam atentos cada um de nossos movimentos.


Uma menina do meu lado pegou minha mão e perguntou: “Como a Senhora se chama?” “Eu me chamo Sarah, não precisa me chamar de Senhora.” “Sarah!?” ela sussurrou e aconchegou-se bem pertinho de mim. Assim sentados no círculo, começamos um diálogo, onde nos informamos mutuamente sobre o nosso trabalho e que deu oportunidade a nós visitantes de sabermos mais sobre a metodologia que o AdoleScER utiliza na formação de multiplicadores de informações (AMIN).


Não demorou e nos vimos no meio de meninos e meninas dançando, mostrando-nos um pouco daquilo que aprenderam no AdoleScER – danças que tratam do respeito e do cuidado consigo e com o outro e que já representam uma parte importante na vida em processo de mudança dessas crianças e adolescentes. “Não demora, e já percebemos mudanças no comportamento das nossas crianças junto aos seus familiares e amigos. Elas têm, principalmente, mais respeito uns pelos outros”, informa uma das educadoras.


Essa manhã, lamentavelmente, passou rápido demais: depois de lancharmos uma salada de frutas, conhecemos a sede e a comunidade e de meio-dia as crianças tinham que voltar para casa.


Fiquei impressionada e muito tocada: tanta cordialidade para nos receber no seu meio, tanto interesse verdadeiro foi nos demonstrado! Como brilhavam esses olhos infantis quando estávamos sentados em grupos pequenos, nos apresentando, fazendo brincadeiras – olhos que já viram tantas coisas que jamais deveriam ter visto.


Existem muitos caminhos para enfrentar a miséria desse mundo. Um dos melhores, certamente, é a transformação dessa jovem geração. Oferecer a essas crianças oportunidades para que aprendam a se auto-ajudarem, fortalecendo essas pequenas colunas para que possam, apesar do peso nos seus ombros, enfrentar um futuro melhor – isto deveria ser a preocupação de todos nós.
Jens Schlötterer
Eu sou Jens Schlötterer, tenho 20 anos, sou do estado da Francônia (sul da Alemanha) e terminei no ano passado o curso técnico de mecânico industrial. Diante dos questionamentos como tudo ia continuar, me lembrei de uma palestra que assisti na minha infância e de uma decisão que tomei na época. Tratava-se de um curto período de voluntariado num Centro de recuperação para usuários de drogas no Brasil. Foi assim que, depois de uma entrevista na Missão de Marburg, fui aceito como estagiário, minha função atual no Cervin (Centro de Recuperação Vida Nova).

Numa viagem de férias pelo país e sua cultura, pude juntar uma grande quantidade de informações e abrir o meu horizonte. O trabalho com adolescentes no AdoleScER ajudou muito neste processo. Assim consegui ter mais uma vez um outro olhar sobre esse país e suas pessoas. Como essa idéia de visitar o AdoleScER surgiu espontaneamente, ficamos muito felizes como tudo tinha sido preparado tão bem. Foi-nos permitido acompanhar bem de perto o trabalho do grupo “Aprender Brincando” em Santo Amaro onde fomos integrados naturalmente nas atividades. Durante as brincadeiras e danças, podia-se perceber a alegria que estava nos olhos das crianças. Através dos relatos dos educadores lá mesmo, pudemos ter uma impressão das tarefas, metas e planos da organização. De um modo geral, achei a visita muito interessante. Desejo à equipe do AdoleScER muita alegria e a perseverança necessária para o trabalho. Quero aproveitar esse momento para agradecer fortemente pela oportunidade de conhecer o Grupo AdoleScER.

Laura Büning
50 sandálias em frente à sede e dentro 50 pés de crianças sentadas num círculo. Foi assim que fomos recebidos na sede do AdoleScER no meio da comunidade Ilha Santa Terezinha em Santo Amaro com vista para um dos maiores Shopping Centers do Recife – parece pura ironia. Uma realidade que não se deve aceitar.
Numa apresentação com nomes brasileiros mais diversos, as crianças e adolescentes sempre mencionaram como gostam das brincadeiras e danças que aprendem no curso. As crianças sentem prazer de estar no AdoleScER, e prazer é importante no ensino. Neste contexto me questiono até que ponto o fator prazer faz parte da educação infantil na Alemanha.
Tenho a impressão que a educação no Brasil, lamentavelmente, ainda é um privilégio e devia-se exercer muito mais pressão sobre a política lenta para que algo mudasse nessa situação.
A franqueza com a qual as crianças nos receberam e o seu interesse em nos conhecer, foram, realmente, enormes. Convidaram-nos a participar das danças circulares, onde, logicamente, as crianças eram os melhores professores. Acredito que o movimento na dança também pode ser o começo para o movimento de um povo esclarecido que tem a consciência da necessidade de exigir o seu direito.
À noite fui convidada a participar da entrega dos certificados dos/das dez AMIN – Adolescentes Multiplicadores de Informações no Caranguejo. Fiquei muito tocada com o clima emocionante e as palavras pessoais dos/das formandos/as. E não duvido que estes jovens irão mover muita coisa.

AdoleScER – Aprender e ensinar

Hannah Müggenburg, 22 anos, estudante de psicologia da cidade de Darmstadt na Alemanha, realizou em fevereiro e março de 2008, um estágio de sete semanas no AdoleScER, tendo oportunidade de conhecer profundamente o nosso trabalho. O contato com as crianças e adolescentes de comunidades carentes ampliou o seu horizonte de um jeito que jamais seria possível na Alemanha. Em seguida, Hannah relata as suas impressões:

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“O trabalho do Grupo AdoleScER me impressionou muito. O conceito da formação de multiplicadores de informações baseado na metodologia de ensino “de igual para igual”, possibilita lutar na base contra as condições desfavoráveis de vida, ajudando, ao mesmo tempo, para que os/as beneficiários/as encontrem eles próprios os melhores caminhos. Primordialmente, busca-se ativar e fortalecer os fatores protetores, evitando assim que as crianças e adolescentes, automaticamente, façam parte desse círculo vicioso composto pelas drogas, pela violência e pela pobreza. Os/as próprios/as adolescentes escolheram a comparação muito adequada com a flor de lótus, que, emergindo de águas lodosas, consegue ter uma flor maravilhosa. Os frutos, ou melhor, a flor desabrochando desse trabalho já se pode admirar agora no AdoleScER quando a gente encontra crianças e adolescentes que conseguem resistir com força admirável às condições desfavoráveis das suas vidas, demonstrando grande gentileza, sensibilidade e poder de reflexão.

O seguinte exemplo da comunidade de Santo Amaro, um dos bairros mais violentos do Recife, demonstrou para mim de forma bastante clara a sustentabilidade e o valor imensurável do trabalho do AdoleScER: apesar das crianças e adolescentes serem constantemente testemunhas de uma violência transbordante, o grupo aqui é como uma grande família. Cada um é percebido com uma grande valorização. Assim também eu fui imediatamente integrada. As crianças e adolescentes automaticamente assumem os trabalhos e cuidam da “sua” casa, um lugar de paz e amizade, onde também no seu tempo livre podem despreocupadamente desfrutar da sua infância. Diante de tantos atos violentos que ocorreram até durante o pouco tempo que estive lá, pude perceber no meu próprio corpo a importância de um lugar de paz como este.


Fiquei convencida da filosofia especial do AdoleScER de formar multiplicadores de informações, de continuar, depois, trabalhando com eles/elas e de transmitir, além de conhecimentos, principalmente competências, onde não só aprendem sobre saúde, cidadania,  ecologia e educação sexual. Eles/elas também se tornam capazes de exigir os seus direitos, de formar uma atitude crítica e reflexiva sobre acontecimentos e modalidades da sociedade, obtendo uma auto-estima que os/as permite ter uma opinião própria e defendê-la de forma compreensiva diante dos outros, lutando contra a discriminação por conta de posição social, raça, ideologia ou religião. Além disso, aprendem a enfrentar conflitos sem violência. A aceitação e credibilidade são bem maiores quando adolescentes e não adultos entram em ação como educadores e exemplos.


Aprendi com as crianças e adolescentes do AdoleScER que a gente precisa primeiramente aprender a “cuidar de si mesmo” para que se possa verdadeiramente cuidar do outro. De volta à Alemanha, freqüentemente eu me pergunto se nós – que sempre nos denominamos uma sociedade avançada – já não pecamos muitas vezes nesse primeiro passo. Será que as razões para isso se encontram no fato de não conseguirmos sentir suficientemente prazer naquilo que temos, de nos compararmos sempre numa direção errada com outros ou simplesmente não reconhecermos as riquezas imensuráveis e já cotidianas (segurança, casa, higiene, etc.) que temos? Talvez deveríamos tomar como exemplo, no que se refere a esse ponto, uma outra cultura que não dispõe de riquezas que consideramos tão óbvias e da qual, mesmo assim, emergem pessoas valiosas e, muitas vezes,  até satisfeitas e felizes. Talvez possamos assim devolver algo às pessoas nestes países e, finalmente, voltar a fazer mais coisas boas.


Finalizando, pode-se dizer que as crianças e adolescentes que parecem ter tão pouco (tanto materialmente como de conhecimento), conseguiram abrir o meu horizonte de tal forma que não teria sido possível na Alemanha. Apesar de tantas diferenças, todos nós pertencemos uns aos outros e podemos sempre aprender mutuamente. Olho para trás e vejo um período muito valioso onde fui confrontada com pobreza e violência estarrecedoras, mas onde pude aprender incrivelmente e conhecer pessoas maravilhosas... Agradeço a todos/as que me proporcionaram isso e, certamente, voltarei.

Hannah Müggenburg

Conversas sérias e espírito alegre

Educadores, monitores, coordenação e pessoal de apoio do Grupo AdoleScER realizaram encontro de avaliação nos dias 12 e 13 de junho em Aldeia. O tempo foi curto, porém bastante frutífero para todos/as.

Educadores, monitores e coordenaçãodo Grupo AdoleScER realizaram encontro de avaliação .
Avaliações internas são freqüentes no AdoleScER, elas acontecem no mínimo uma vez por mês e, se necessário, num período mais curto, participando educadores, monitores, coordenação e adolescentes no processo de formação. Porém, realizar um seminário de avaliação num ambiente tranqüilo onde podemos aprofundar abertamente as nossas discussões sobre todas as áreas de atuação, sobre os diversos projetos, metodologia de trabalho, relações inter-pessoais, bem como sobre questões logísticas – administração das nossas sedes comunitárias, material didático, lanche e transporte – isso realmente é um grande enriquecimento. A equipe do AdoleScER (8 educadores/as, 16 monitores e as três pessoas de apoio da sede central) teve essa oportunidade no final do primeiro semestre de 2008 e reuniu-se por dois dias no CERNE em Aldeia, a 10 km de distância do Recife, no meio de uma paisagem maravilhosa e num ambiente harmonioso: o verde da floresta, árvores frutíferas e um riacho limpo, bem como uma infra-estrutura simples, mas funcional e uma alimentação saudável, tornaram estes dois dias uma experiência muito especial. Até os maruins e as muriçocas não nos afetaram tanto, uma vez que nos prevenimos com repelentes. Houve alguns participantes que se queixaram das subidas íngremes entre as diferentes acomodações, mas com o tempo percebiam o benefício de estarem em contato com uma natureza exuberante.
Tivemos o dilema normal desses encontros no que se refere à divisão eficiente do tempo para fazer jus às necessidades e exigências como: reuniões de avaliação, atividades de vivência e lazer. Ainda não encontramos a divisão certa que satisfizesse a todos estes itens. Uma coisa ficou certa: os dois dias foram curtos demais, porém bastante intensos e enriquecedores!
As avaliações se deram, inicialmente, em grupos pequenos com pontos de discussão preparados de acordo com as temáticas. Só no segundo dia os resultados foram apresentados e discutidos em plenária. Apresentamos em seguida um resumo das avaliações:
Resultados positivos:
  • Existe uma grande satisfação geral no que se refere à missão e os objetivos do trabalho do AdoleScER;
  • O desenvolvimento positivo e rápido das crianças e adolescentes atendidos, principalmente no que se refere à redução da violência em seu comportamento, foi mencionado pelos/as educadores/as e monitores/as como ponto mais motivador;
  • As temáticas claras e os excelentes planos de trabalho para cada atividade foram destacados como ponto muito positivo do trabalho pedagógico do AdoleScER;
  • A proximidade com os grupos beneficiários, inclusive fora do horário de trabalho, foram salientados pelos monitores como sendo muito importantes para o fortalecimento de uma relação de confiança, servindo também de base para uma identificação mais rápida com o Grupo AdoleScER;
  • O aumento do reconhecimento dos/das monitore/as nas suas comunidades e em outras organizações;
  • Uma cooperação flexível e com o mínimo de burocracia entre as sedes comunitárias e a administração do AdoleScER;
  • A supervisão regular das atividades desenvolvidas pelos/as monitores/as nas comunidades possibilita inovações e, se necessário, intervenções rápidas.

Dificuldades / Desafios:
  • As sedes comunitárias necessitam de mais equipamento e mobília para o pleno funcionamento (mais computadores, aparelhos áudio-visuais, armários, mesas, etc.);
  • Concertos necessários nas sedes comunitárias, principalmente nessa época de chuva;
  • Grande carga de trabalho para os/as monitores/as, principalmente os/as de Santa Luzia, onde apenas duas pessoas são responsáveis por todas as atividades;
  • A proximidade para com o grupo beneficiário, mencionada anteriormente como sendo positiva, é, ao mesmo tempo, um grande peso, já que, freqüentemente, se misturam trabalho e lazer.
As atividades de vivência, realizadas no seminário, foram avaliadas, de um modo geral, como bastante positivas, apesar de algumas restrições: para alguns, as danças circulares demoraram demais, para outros, os Torés e as danças dos índios realizados na grama repercutiram em mordidas de formigas. Por outro lado, as danças foram uma preparação ideal para a meditação da árvore realizada em seguida e que ajudou na auto-avaliação posterior. A presença de três crianças pequenas, às vezes, foi um pouco cansativa. Precisamos encontrar uma solução mais adequada para os próximos encontros.
Para finalizar, gostaríamos de agradecer a todos/as que contribuíram para esse resultado tão positivo.

Gunde Schneider, Coordenadora