No dia 21 de maio de 2008, um grupo de jovens alemães que estão de visita ao Brasil, conheceram o AdoleScER. Sarah Preuss, Fredy Arnsperger, Jens Schlötterer e Martin são estagiários no Centro de Recuperação Vida Nova, no Paraná. Moema Hees veio de João Pessoa onde está terminando um ano de voluntariado num projeto social. Todos estão no Brasil para realizar um ano de voluntariado em organizações sociais da Igreja Luterana. Laura Büning, outra visitante do AdoleScER nesse dia, atualmente é estagiária na Caritas NE 2 com sede em Recife.
Sarah Preuss
Durante nossa viagem pelo Nordeste Brasileiro passamos também por Recife. O nosso grupo era formado por três homens jovens alemães e por mim. Através da organização Missão de Marburg realizamos atualmente um estágio de um ano em Rolândia / Paraná num Centro de recuperação para usuários de drogas, o CERVIN. A partir do dia 12 de maio, fomos conhecer o Brasil por três semanas e foi assim que tivemos a oportunidade de conhecermos também o trabalho do AdoleScER.
Quando entramos na sede do Grupo AdoleScER em Santo Amaro, 25 pares de olhos rapidamente posicionaram-se em direção a esses visitantes de aspecto estranho e abriram espaço para podermos sentar junto aos outros já sentados em círculo no chão. Aqui e acolá escutava-se uma risadinha envergonhada e os rostos risonhos acompanharam atentos cada um de nossos movimentos.
Uma menina do meu lado pegou minha mão e perguntou: “Como a Senhora se chama?” “Eu me chamo Sarah, não precisa me chamar de Senhora.” “Sarah!?” ela sussurrou e aconchegou-se bem pertinho de mim. Assim sentados no círculo, começamos um diálogo, onde nos informamos mutuamente sobre o nosso trabalho e que deu oportunidade a nós visitantes de sabermos mais sobre a metodologia que o AdoleScER utiliza na formação de multiplicadores de informações (AMIN).
Não demorou e nos vimos no meio de meninos e meninas dançando, mostrando-nos um pouco daquilo que aprenderam no AdoleScER – danças que tratam do respeito e do cuidado consigo e com o outro e que já representam uma parte importante na vida em processo de mudança dessas crianças e adolescentes. “Não demora, e já percebemos mudanças no comportamento das nossas crianças junto aos seus familiares e amigos. Elas têm, principalmente, mais respeito uns pelos outros”, informa uma das educadoras.
Essa manhã, lamentavelmente, passou rápido demais: depois de lancharmos uma salada de frutas, conhecemos a sede e a comunidade e de meio-dia as crianças tinham que voltar para casa.
Fiquei impressionada e muito tocada: tanta cordialidade para nos receber no seu meio, tanto interesse verdadeiro foi nos demonstrado! Como brilhavam esses olhos infantis quando estávamos sentados em grupos pequenos, nos apresentando, fazendo brincadeiras – olhos que já viram tantas coisas que jamais deveriam ter visto.
Existem muitos caminhos para enfrentar a miséria desse mundo. Um dos melhores, certamente, é a transformação dessa jovem geração. Oferecer a essas crianças oportunidades para que aprendam a se auto-ajudarem, fortalecendo essas pequenas colunas para que possam, apesar do peso nos seus ombros, enfrentar um futuro melhor – isto deveria ser a preocupação de todos nós.
Quando entramos na sede do Grupo AdoleScER em Santo Amaro, 25 pares de olhos rapidamente posicionaram-se em direção a esses visitantes de aspecto estranho e abriram espaço para podermos sentar junto aos outros já sentados em círculo no chão. Aqui e acolá escutava-se uma risadinha envergonhada e os rostos risonhos acompanharam atentos cada um de nossos movimentos.
Uma menina do meu lado pegou minha mão e perguntou: “Como a Senhora se chama?” “Eu me chamo Sarah, não precisa me chamar de Senhora.” “Sarah!?” ela sussurrou e aconchegou-se bem pertinho de mim. Assim sentados no círculo, começamos um diálogo, onde nos informamos mutuamente sobre o nosso trabalho e que deu oportunidade a nós visitantes de sabermos mais sobre a metodologia que o AdoleScER utiliza na formação de multiplicadores de informações (AMIN).
Não demorou e nos vimos no meio de meninos e meninas dançando, mostrando-nos um pouco daquilo que aprenderam no AdoleScER – danças que tratam do respeito e do cuidado consigo e com o outro e que já representam uma parte importante na vida em processo de mudança dessas crianças e adolescentes. “Não demora, e já percebemos mudanças no comportamento das nossas crianças junto aos seus familiares e amigos. Elas têm, principalmente, mais respeito uns pelos outros”, informa uma das educadoras.
Essa manhã, lamentavelmente, passou rápido demais: depois de lancharmos uma salada de frutas, conhecemos a sede e a comunidade e de meio-dia as crianças tinham que voltar para casa.
Fiquei impressionada e muito tocada: tanta cordialidade para nos receber no seu meio, tanto interesse verdadeiro foi nos demonstrado! Como brilhavam esses olhos infantis quando estávamos sentados em grupos pequenos, nos apresentando, fazendo brincadeiras – olhos que já viram tantas coisas que jamais deveriam ter visto.
Existem muitos caminhos para enfrentar a miséria desse mundo. Um dos melhores, certamente, é a transformação dessa jovem geração. Oferecer a essas crianças oportunidades para que aprendam a se auto-ajudarem, fortalecendo essas pequenas colunas para que possam, apesar do peso nos seus ombros, enfrentar um futuro melhor – isto deveria ser a preocupação de todos nós.
Jens Schlötterer
Eu sou Jens Schlötterer, tenho 20 anos, sou do estado da Francônia (sul da Alemanha) e terminei no ano passado o curso técnico de mecânico industrial. Diante dos questionamentos como tudo ia continuar, me lembrei de uma palestra que assisti na minha infância e de uma decisão que tomei na época. Tratava-se de um curto período de voluntariado num Centro de recuperação para usuários de drogas no Brasil. Foi assim que, depois de uma entrevista na Missão de Marburg, fui aceito como estagiário, minha função atual no Cervin (Centro de Recuperação Vida Nova).
Numa viagem de férias pelo país e sua cultura, pude juntar uma grande quantidade de informações e abrir o meu horizonte. O trabalho com adolescentes no AdoleScER ajudou muito neste processo. Assim consegui ter mais uma vez um outro olhar sobre esse país e suas pessoas. Como essa idéia de visitar o AdoleScER surgiu espontaneamente, ficamos muito felizes como tudo tinha sido preparado tão bem. Foi-nos permitido acompanhar bem de perto o trabalho do grupo “Aprender Brincando” em Santo Amaro onde fomos integrados naturalmente nas atividades. Durante as brincadeiras e danças, podia-se perceber a alegria que estava nos olhos das crianças. Através dos relatos dos educadores lá mesmo, pudemos ter uma impressão das tarefas, metas e planos da organização. De um modo geral, achei a visita muito interessante. Desejo à equipe do AdoleScER muita alegria e a perseverança necessária para o trabalho. Quero aproveitar esse momento para agradecer fortemente pela oportunidade de conhecer o Grupo AdoleScER.
Numa viagem de férias pelo país e sua cultura, pude juntar uma grande quantidade de informações e abrir o meu horizonte. O trabalho com adolescentes no AdoleScER ajudou muito neste processo. Assim consegui ter mais uma vez um outro olhar sobre esse país e suas pessoas. Como essa idéia de visitar o AdoleScER surgiu espontaneamente, ficamos muito felizes como tudo tinha sido preparado tão bem. Foi-nos permitido acompanhar bem de perto o trabalho do grupo “Aprender Brincando” em Santo Amaro onde fomos integrados naturalmente nas atividades. Durante as brincadeiras e danças, podia-se perceber a alegria que estava nos olhos das crianças. Através dos relatos dos educadores lá mesmo, pudemos ter uma impressão das tarefas, metas e planos da organização. De um modo geral, achei a visita muito interessante. Desejo à equipe do AdoleScER muita alegria e a perseverança necessária para o trabalho. Quero aproveitar esse momento para agradecer fortemente pela oportunidade de conhecer o Grupo AdoleScER.
Laura Büning
50 sandálias em frente à sede e dentro 50 pés de crianças sentadas num círculo. Foi assim que fomos recebidos na sede do AdoleScER no meio da comunidade Ilha Santa Terezinha em Santo Amaro com vista para um dos maiores Shopping Centers do Recife – parece pura ironia. Uma realidade que não se deve aceitar.
Numa apresentação com nomes brasileiros mais diversos, as crianças e adolescentes sempre mencionaram como gostam das brincadeiras e danças que aprendem no curso. As crianças sentem prazer de estar no AdoleScER, e prazer é importante no ensino. Neste contexto me questiono até que ponto o fator prazer faz parte da educação infantil na Alemanha.
Tenho a impressão que a educação no Brasil, lamentavelmente, ainda é um privilégio e devia-se exercer muito mais pressão sobre a política lenta para que algo mudasse nessa situação.
A franqueza com a qual as crianças nos receberam e o seu interesse em nos conhecer, foram, realmente, enormes. Convidaram-nos a participar das danças circulares, onde, logicamente, as crianças eram os melhores professores. Acredito que o movimento na dança também pode ser o começo para o movimento de um povo esclarecido que tem a consciência da necessidade de exigir o seu direito.
À noite fui convidada a participar da entrega dos certificados dos/das dez AMIN – Adolescentes Multiplicadores de Informações no Caranguejo. Fiquei muito tocada com o clima emocionante e as palavras pessoais dos/das formandos/as. E não duvido que estes jovens irão mover muita coisa.
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